Profissionais investem em pós-graduações de olho nas oportunidades que surgem com os grandes projetos em implantação no complexo

Fazer uma pós-graduação é agregar valor ao currículo, é aumentar as chances de empregabilidade. Principalmente para quem que está de olho nas oportunidades que surgem com a chegada dos megaempreendimentos a Suape. As empresas, incluindo os fornecedores, vão precisar de muita mão de obra de nível médio e técnico, mas também precisarão contratar profissionais graduados para atuar tanto na área operacional quanto na administrativa. A cada dia, surgem em Pernambuco mais e mais cursos com foco nesse filão. São especializações lato sensu, MBAs, mestrados profissionais e acadêmicos, doutorados, oferecidos em diversos formatos e segmentos.

Karine de Morais, 31 anos, é formada em comércio exterior e acaba de concluir uma especialização em gestão de negócios portuários e logística, ofertada pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX), ligado à Faculdade Internacional de Curitiba (PR). A formatura da primeira turma foi em junho. “Fiz a especialização pensando nos investimentos de Suape, mas infelizmente tenho esbarrado em muitos preconceitos. Prestar consultoria e dar aulas foi tudo o que apareceu até agora”, depõe.

Eis um debate interessante. A profissional diz que as empresas que estão chegando a Suape estão dando preferência a profissionais que vêm de fora ou contratando o profissional pernambucano com salário até quatro vezes menor. “Não precisamos só de oportunidade, precisamos também de valorização”, afirma Karine. Ela acha que as empresas que estão recebendo incentivos fiscais do governo do para se instalar no estado deveriam ser obrigadas a contratar mão de obra local também na área administrativa.

A especialização feita por Karine prepara profissionais para enfrentar os desafios do comércio internacional e da modernização da gestão portuária. Os alunos aprendem a ter uma visão holística do processo portuário de forma integrada. “O comércio internacional está crescendo, os portos brasileiros estão se expandindo, entre eles Suape, mas não há profissionais suficientes para atender a essa demanda. Por isso pensamos em oferecer o curso em várias partes do país”, justifica o coordenador dos cursos de pós-graduação na área empresarial do IBPEX, Humberto Stadler.

Colega de Karine no curso, o paulista Marcello Negrão de Mello, 43 anos, veio a Pernambuco em busca de oportunidades. Também formado em comércio exterior, foi bancário por 13 anos. “Vendi tudo e vim para Pernambuco. Vim atraído pela perspectiva de desenvolvimento da economia local em função de Suape”, relata. Marcello pensava em trabalhar com turismo ou produção de camarão, mas acabou sendo dono de lotérica. Depois de um assalto, resolveu passar o negócio adiante.

“Agora, que concluí essa especialização, penso em trabalhar na área de logística”, planeja o paulista. Certamente, ele não ficará à mercê das empresas que privilegiam profissionais de fora do estado. Marcello não cogita procurar emprego. Seu desejo é investir numa central de distribuição. “Estão surgindo muitas oportunidades nessa área”, justifica.

Banco – Entre 2007 e 2008, Pernambuco gerou mais de 99 mil vagas de emprego formal, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Muitas delas nos setores da indústria e da construção civil, alavancadas pelos projetos de Suape. Quantos desses empregos foram ocupados por pessoal com pós-graduação? Não se sabe ao certo. “Realmente o nosso banco tem mais profissionais de níveis básico e médio, mas estamos planejando ações para ampliá-lo. Para tanto, precisamos que esses profissionais mais qualificados se inscrevam”, destaca Angella Mochel, gerente-geral da Agência do Trabalho, órgão responsável pela intermediação de mão de obra no estado.

Fonte: Diário de Pernambuco

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