Taxa básica de juros também interfere na obtenção de crédito
THOMAZ VIEIRA
Como noticiado nos últimos meses, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem feito diversos cortes na taxa básica de juros, a Selic, que, na semana passada, foi estabelecida em 7,25% ao ano, o menor valor a que já chegou. A medida foi encarada por economistas como um estímulo à economia, já que a taxa serve de parâmetro para diversas transações mercadológicas e influencia, direta ou indiretamente, as compras do nosso dia a dia.
Segundo o coordenador do curso de Economia da Faculdade Boa Viagem (FBV), Antonio Pessoa, a Selic é o valor referência para o mercado das transações interbancárias: as instituições financeiras usam esta taxa quando emprestam dinheiro entre si. O economista e consultor Sérgio Buarque completa dizendo que os bancos, para fechar seus caixas diariamente, compram e vendem títulos da dívida pública. O mercado em geral também toma como referência esse valor. “Desta forma, o valor da Selic tem que ser atraente para o mercado interbancário e também regular a circulação da moeda”, aponta Buarque.
É o Copom que define a Selic. “O Copom se reúne a cada 45 dias e analisa a situação financeira do País. Quando estamos com um crescimento fraco, o órgão diminui os juros para estimular a economia; e quando o crescimento é maior que o desejado, a taxa é aumentada para conter o mercado”, explica o professor. Segundo Sérgio Buarque, hoje o Governo pode estabelecer uma taxa com valor reduzido porque a inflação está controlada e a dívida pública é baixa. Ele lembra que, no passado, o parâmetro já chegou aos 30%.
As variações da Selic influenciam, inclusive, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que é a soma de toda a riqueza produzida pelo País. Nesta equação, aponta o professor, a movimentação causada pelo consumo responde por aproximadamente dois terços do PIB, enquanto os investimentos por 10% a 12%, e ambos são diretamente influenciados pela taxa de juros. “Ou seja, quando o Governo reduz a Selic, ele está dando estímulo a dois segmentos importantes da economia”, completa.
Segundo Pessoa, a taxa de juros também tem peso sobre a obtenção de crédito, já que, quanto menor ela for, mais fácil será obter renda. “Isso é bom, porque as pessoas consomem mais, as empresas investem”. O setor mais influenciado é o dos bens de consumo final, com destaque para os eletrônicos, eletrodomésticos e automobilísticos, por serem, em geral, comprados em várias parcelas. “Quem compra a longo prazo, como é o caso dos financiamentos ou crediários, fica mais beneficiado pela baixa, já que as prestações acabam sendo menores”, nota.
Em outros países, o cálculo da taxa de juros segue basicamente o mesmo estilo do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, os presidentes dos bancos centrais regionais – lá há mais de um – se reúnem periodicamente para determinar o valor. Pessoa aponta que, em alguns lugares, há também a diferença de os bancos centrais serem independentes. No Brasil, os gestores da instituição são indicados pela Presidência da República. O economista ressalva que, nos últimos anos, as decisões do Banco Central têm sido mais técnicas do que políticas. Ainda segundo ele, a baixa nos juros é uma realidade em todo o mundo, não exclusiva do nosso país.
FOLHA PE


































21/10/2012
ECONOMIA BRASIL