Governo monta estratégia para a captação de investimentos de diversos setores
\ Por Micheline Batista \

A mesma estratégia bem-sucedida utilizada pelo governo do estado na atração de investimentos para adensar as cadeias de energias renováveis e petróleo, gás, naval e offshore, em Suape e arredores, será aplicada também no desenvolvimento do polo automotivo de Goiana, na Mata Norte. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico aguarda apenas que a Fiat defina os sistemistas que se integrarão à montadora para arregaçar as mangas e correr atrás de mais e mais fornecedores.
A estratégia que vem sendo utilizada com êxito faz parte da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que está pronta e deve ser lançada até o fim do ano. A PDP prevê ações para o período 2013-2022, envolvendo tanto o poder público quanto a iniciativa privada e a academia (tríplice hélice). Um dos pilares é o adensamento das cadeias produtivas vinculadas aos chamados empreendimentos estruturadores (Refinaria Abreu e Lima, PetroquímicaSuape, Estaleiro Atlântico Sul, Fiat), além de novos segmentos como o de energias renováveis.
“São cadeias novas, ainda estamos aprendendo a lidar com elas. A ideia é adensar essas cadeias com o maior número de empresas possível”, diz o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico, Roberto Abreu e Lima. A infraestrutura e localização privilegiada do estado em relação às demais capitais nordestinas têm funcionado como um atrativo, mas a isca é a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços para toda a cadeia.
“A saída desses empreendimentos estruturadores, com exceção da Fiat, é zero de ICMS. Isto é, o navio fabricado pelo estaleiro, por exemplo, não paga o imposto. Mas se ele comprar um insumo em São Paulo, vem com a carga de ICMS de lá. Se o fornecedor está aqui, o ICMS é zero, o que torna a negociação mais rápida e barata”, completa o secretário.
Como a base das três cadeias é a indústria metalmecânica, as ações em curso voltadas para os setores de energias renováveis e petróleo, gás, naval e offshore também vão atender à implantação da Fiat. O governo do estado tem se empenhado para atrair empresas de usinagem, fundição, forjaria, caldeiraria e produção de equipamentos. Uma cadeia extensa que começa na produção do aço, daí a importância da implantação da Companhia Siderúrgica Suape (CSS).
No desenvolvimento desse trabalho, o caso do cluster de energias renováveis tem sido bastante emblemático. A SDEC montou um grupo executivo com oito integrantes, incluindo representantes das secretarias de Recursos Hídricos e Energéticos, Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente. Também foi firmado um convênio com a International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, para prospecção de investimento externos.
“Com isso conseguimos know how e treinamento. A partir daí, o Banco Mundial contratou a IBM-PLI para diagnosticar a competitividade do estado para atrair investimentos na cadeia de energias renováveis”, conta Roberto Abreu e Lima. No diagnóstico, Pernambuco se saiu melhor do que Bahia, Ceará e São Paulo em relação ao benchmarking internacional. Um excelente cartão de visita.
Feiras viram vitrines
Se o diagnóstico feito pela IBM-PLI é o cartão de visita na atração de investimentos, a participação em grandes feiras é a vitrine. Nos últimos anos, comitivas azul e branco têm frequentado eventos como a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston (EUA), a Maritime Week Americas (Panamá) e a Hannover Messe (Alemanha). No Brasil, têm sido presença certa na Feira Internacional da Mecânica (SP), na Rio Oil and Gas e na Navalshore (RJ).
“Não basta só ter os empreendimentos estruturadores. Temos que pernambucanizar o fornecimento de serviços, materiais e equipamentos para esses empreendimentos. Por isso a participação nesses eventos é tão importante”, afirma o diretor do projeto Suape Global, Sílvio Leimig. Nessas ocasiões, o governo do estado agenda reuniões prévias com potenciais fornecedores e fazem convites para que visitem o Complexo Industrial Portuário de Suape.
Na última Brazil Wind Power, realizada em agosto no Rio, Suape se tornou o primeiro porto membro da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Aliás, a aproximação com associações de empresas, como a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha e a Associação Brasileira de Fundição (Abifa), é estratégica.
“Outra coisa é a aproximação com os consulados da Alemanha, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, para que Pernambuco seja incluído no roteiro das empresas desses países em visita ao Brasil”, acrescenta Leimig. O Fórum Suape Global também tem estimulado a criação de cursos, como o de engenharia naval na UFPE e o de construção e montagem que a UPE passa a oferecer a partir do ano que vem, além do intercâmbio internacional de estudantes. Oito pernambucanos estão na Finlândia estagiando na área naval.
A PDP tem outras duas pernas: o fortalecimento e modernização de atividades tradicionais, como as de confecções no Agreste e as do gesso, no Sertão do Araripe; e o estímulo à economia criativa. (M.B.)
DIARIO DE PERNAMBUCO

































21/10/2012
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