Sebrae aponta que micros e pequenas criaram em agosto 97,2% das vagas no País. No Estado, 58,5% dos postos vieram das grandes
Responsáveis pela maior parte da geração de emprego e renda no País, as micro e pequenas empresas (MPE) criaram, em agosto deste ano, 97,2% dos 100.938 postos de trabalho formal gerados naquele mês em todo Brasil 98.283 cargos. Pernambuco, entretanto, destoou do resto do País: 58,5% das 9.218 vagas preenchidas no Estado foram oriundas de médias e grandes empresas (MGEs). Os dados são de pesquisa divulgada ontem pelo Sebrae Nacional.
No Estado, o setor que puxou o aumento no emprego dos médios e grandes empreendimentos foi a indústria de transformação, que contratou 4.303 pessoas no mês retrasado. Quem mais assinou carteira (em Pernambuco) foram os setores de transformação de alimentos e bebidas, afirma o analista de gestão estratégica do Sebrae Nacional, Paulo Jorge da Fonseca.
Mesmo seguindo na contramão em agosto, as MPEs Pernambuco seguiram o padrão nacional de crescimento nos setores de serviços, comércio e construção civil, pondera o analista de gestão estratégica do Sebrae Nacional. Dos 3.830 empregos gerados pelas micro e pequenas no Estado, 20,4% são do setor de serviços, 8,5%, da construção civil, e 6,5%, do comércio.
Para o presidente da Federação das Associações de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte de Pernambuco (Femicro), José Tarcísio da Silva, essa situação é atípica, mesmo com os dados do Sebrae revelando que desde 2003 as MGEs contratam, no oitavo mês, mais que as micro e pequenas. Apenas nos meses de agosto de 2005, 2006 e 2008, as MPEs geraram mais postos de trabalho no Estado.
Pode ser que em virtude dos grandes investimentos que aportam aqui, as médias e grandes estejam contratando mais. Mas isso não diminui a importância das micro e pequenas empresas. O governo federal reconhece esse fato. O que importa mesmo é o fechamento desses dados em termos anuais, pondera José Tarcísio.
Quando observado o número de vagas preenchidas pelas MPEs de setembro de 2011 até agosto de 2012, 95,8% dos 1.071.558 gerados em todo país são oriundos do grupo no Brasil. Em Pernambuco, das 49.183 vagas do período, quase 80% foram criadas pelas micro e pequenas empresas. Para chegar aos percentuais citados, o Sebrae Nacional tomou como base dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Considerou como micro e pequenas empresas aquelas que têm, no máximo, 99 funcionários contratados formalmente.
TRANSFORMAÇÃO
A indústria de transformação de alimentos e bebidas, responsável pela maioria dos empregos gerados pelas médias e grandes empresas, representou, em 2011, cerca de 40% do PIB do Estado. A Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) aponta que foram gerados no ano passado mais de 80 mil empregos na área, com grandes perspectivas de crescimento. Um exemplo dessa representatividade do setor em Pernambuco é o empreendimento da Ambev em Itapissuma. Trata-se da maior fábrica no Brasil e segunda da América Latina. A previsão da companhia é ter 1.500 funcionários em seu quadro nos próximos três anos, quando estará em pleno funcionamento. Hoje, já conta com cerca de 500 funcionários.
JORNAL DO COMMERCIO























11/10/2012
OUTROS TEMAS