A décima redução consecutiva da taxa básica de juros (Selic), anunciada nesta quarta-feira (10) pelo Banco Central, somada à aceleração da inflação por causa da alta dos preços dos alimentos, faz com que os juros reais do Brasil caiam abaixo dos 2% ao ano.
Segundo cálculo do professor do departamento de economia da PUC-SP e diretor da Metha Consultoria, Claudemir Galvani, os juros reais caem de 2,2% (quando a Selic estava em 7,5% ao ano) para 1,95%.
O BC reduziu os juros para 7,25% nesta quarta-feira.
Os juros reais da economia são calculados pela Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, menos o IPCA, índice oficial da inflação do país.
Em setembro, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), teve alta de 0,57%, uma aceleração de 0,16 ponto percentual frente ao 0,41% registrado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em agosto.
Nos últimos 12 meses, o índice acumula alta de 5,28%.
Já o novo patamar da Selic é o menor de toda a série histórica, iniciada em 1986.
A trajetória de queda teve início em agosto do ano passado, há mais de um ano, quando a economia brasileira começou a mostrar sinais de desaquecimento com a piora da crise econômica mundial.
Desde então, a Selic foi reduzida de 12,5% para os atuais 7,25% pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que se reúne a cada 45 dias para definir se altera ou mantém o valor da taxa básica de juros.
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VOTO DOS CONSELHEIROS
A decisão de hoje não foi unânime. Cinco conselheiros do Copom votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual e três, pela manutenção da Selic em 7,5% ao ano.
Votaram pela redução para 7,25% Alexandre Antonio Tombini (presidente do BC), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Luiz Awazu Pereira da Silva e Luiz Edson Feltrim. Já os conselheiros Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo e Sidnei Corrêa Marques votaram pela manutenção da Selic em 7,5% ao ano.
Segundo nota divulgada pelo Banco Central após a decisão, o comitê votou pela décima queda considerando o risco da inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional.
Para o Copom, “a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear”.
PREOCUPAÇÃO COM A INFLAÇÃO
A falta de consenso nas previsões reflete o dilema que o BC enfrenta. Com a inflação dando sinais de alta, o desafio é não estourar a meta do governo, de 4,5% (com teto de 6,5%), em um cenário de alta dos preços dos alimentos, mas com a atividade baixa e a economia brasileira precisando de estímulos ao consumo.
A taxa de juros é um dos principais instrumentos de controle dos preços no país. Baixando os juros, em tese estimula-se o consumo em razão do alívio no preço dos produtos e serviços.
Para Claudemir Galvani, ainda há espaço para que a Selic caia mais. “Mas, tendo em vista que a inflação subiu em setembro, o BC evita dar a cara para bater e faz uma redução mais tímida, de 0,25%”.























10/10/2012
ECONOMIA BRASIL