Agreste e Sertão terão banda larga mais barata após aporte que a Oi deve fazer para cumprir exigências do PE-Conectado
O presidente (CEO) da Oi, Francisco Valim, sinalizou ontem para a redução no preço da internet de banda larga para os consumidores do Agreste e do Sertão de Pernambuco. O grupo de telefonia é o sócio majoritário do consórcio de empresas que arrematou por R$ 1,029 bilhão o gerenciamento por quatro anos da rede PE-Conectado. Trata-se do maior contrato de serviços públicos já licitado pelo Estado, cuja assinatura ocorreu ontem. Engloba desde os telefones fixos da administração pública até o videomonitoramento de ruas e escolas estaduais (ver arte abaixo). A Oi vai investir R$ 500 milhões nos próximos 12 meses para ampliar em 85% a infraestrutura de telecomunicações dentro do Estado de Pernambuco, com força no interior, criando condições para diminuição no valor cobrado pelo megabyte por segundo em municípios situados após Caruaru, hoje até dez vezes mais caro que no Grande Recife.
A internet nesses lugares mais distantes não é mais custosa porque há aproveitamento de alguma vantagem, mas porque é mais caro levar o serviço aonde a infraestrutura é escassa, justificou Valim, rebatendo críticas do mercado, especialmente de operadores de pequenos provedores do Agreste e do Sertão, de que o monopólio da Oi nas regiões é o principal causador dos preços nas alturas.
Esse contrato (do PE-Conectado) permite que a Oi leve infraestrutura para lugares por um custo muito menor. Quanto mais infraestrutura for agregada, mais as empresas conseguem operar os serviços a valores rentáveis. Isso vai ter impacto positivo não só na redução do preço, mas também no número de cidades com acesso à banda larga, resumiu, sem arriscar percentuais de queda.
Na primeira etapa da licitação, realizada no final de junho, o consórcio de empresas liderado pela Embratel surpreendeu com um lance menor, de R$ 1,01 bilhão, o que trouxe expectativas positivas no mercado pernambucano de tecnologia. Na época, o grupo empresarial chegou a anunciar R$ 320 milhões em aportes em infraestrutura, o que lhe permitiria concorrer comercialmente com a Oi no interior do Estado, beneficiando os consumidores.
Porém, na etapa de análise técnica, o consórcio foi desabilitado porque uma das empresas, a Hidelbrando do Brasil Serviços Tecnológicos Ltda., apresentou patrimônio líquido negativo, ou seja, estava com dívidas superiores aos seus ativos.
Após um segundo trimestre de queda de 2,4% nas receitas líquidas (R$ 6,9 bilhões), na comparação com o mesmo período de 2011, a Oi enxerga no PE-Conectado uma estratégia de aumento no faturamento no longo prazo. Por ano, R$ 302 milhões do dinheiro do povo pernambucano serão pagos ao consórcio liderado pela Oi formado pelas empresas Avantia e Vectra. Há ainda previsão de reajuste anual acompanhando a inflação oficial do País.
Em 2012 e 2013, nós vamos investir R$ 500 milhões para fazer com que esse projeto exista. A partir de então ele começa a dar possibilidade de algum retorno, pontuou Valim, que em discurso na solenidade de assinatura do contrato, se desmanchou em elogios à iniciativa do governo de Pernambuco, inédita no poder público do País, de unificar a licitação e de maximizar a sinergia. Empresas privadas fazem isso há muito tempo, acrescentou.
O volume de aportes anunciado pela Oi vai gerar 1.500 empregos em Pernambuco, através da contratação de empresas locais. Além disso, os recursos fazem parte do pacote de R$ 6 bilhões que a empresa pretende desembolsar no País em 2012 de acordo com anúncio feito aos investidores em julho deste ano. O plano de investimentos da Oi, além de cobrir as exigências do PE-Conectado, visa expandir as redes 3G e de banda larga em Pernambuco.
Além disso, o planejamento estratégico de quatro anos da empresa prevê investimentos totais de R$ 24 bilhões, no período de 2012 a 2015.
JORNAL DO COMMERCIO



































21/09/2012
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