Fatia de esfera social ganha 37 milhões de pessoas, responde por 38% do consumo e vira queridinha do varejo
/ Paula Takahashi /
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Sozinha, a classe média brasileira poderia assumir a 18ª colocação entre os maiores mercados consumidores do mundo. Com 104 milhões de pessoas e crescimento de 55% desde 2002 – a partir da entrada de 37 milhões de novos integrantes –, esta parcela da população já engloba 53% de todos os brasileiros, segundo dados do projeto Vozes da Classe Média, divulgado ontem pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Somente neste ano, este estrato da população deve movimentar R$ 1 trilhão na economia, segundo expectativa do governo. Para se ter uma ideia, o PIB em 2011 somou R$ 4,1 trilhões.
Não é por menos que as empresas estão cada vez mais atentas ao ganho de renda e aumento da taxa de emprego do grupo de trabalhadores que ganha entre R$ 291 e R$ 1.019 por mês. Eles respondem por 38% do consumo das famílias brasileiras, e por 36% da renda nacional. O estudo usa como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Instituto Data Popular.
A expansão do emprego está entre os principais propulsores para a entrada de 29 milhões de brasileiros na classe média. “O crédito também garantiu essa acessibilidade”, explica o professor do departamento de economia da Unicamp, Waldir Quadros.
A Nestlé foi uma das primeiras marcas a perceber o crescimento e importância deste estrato da população para expansão dos negócios. Desde 2006 realiza a venda porta a porta, que já soma mais de 10 mil revendedores e 273 microdistribuidores em 20 estados. São 3,2 milhões de casas visitadas todos os anos. Em 2010, lançou o Nestlé até você a bordo, o primeiro supermercado flutuante do Brasil que leva produtos a população ribeirinha. Novos canais de vendas para comunidades afastadas da região Norte devem vir por aí. O resultado é que a empresa foi apontada como a marca preferida entre consumidores da classe média, conforme pesquisa do Data Popular, seguida pela Samsung e Adidas.
Mulheres
O ganho de renda da classe C nos últimos 10 anos foi puxado pelas mulheres. Entre 2002 e 2012, o crescimento foi de 76,1%, passando de R$ 150 bilhões no total para os atuais R$ 264,1 bilhões. Os negros também contribuíram positivamente para o aumento da capacidade de consumo da classe média, com renda que saltou de R$ 158,1 bilhões para R$ 352,9 bilhões. Este e outros dados levantados pela SAE serão utilizados para formulação de políticas públicas mais direcionadas para esse estrato social.
DIÁRIO DE PERNAMBUCO
























21/09/2012
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