Novas siderúrgicas estão engavetadas

20/09/2012

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Setor reclama que as importações de aço e o custo de investimentos prejudicam produção da indústria nacional

Micheline Batista /

Custo Brasil atrapalha setor, já que a carga tributária para quem produz bobinas de aço chega a 47%, por exemplo

Cerca de US$ 16 bilhões (aproximadamente R$ 32,3 bilhões) em projetos de novas siderúrgicas estão engavetados no país. O motivo é uma sobra de capacidade instalada de 69% em relação à demanda doméstica. O crescimento do mercado interno continua sendo o maior desafio do setor, aliado a uma política eficiente de defesa comercial que seja capaz de reduzir as importações.

Algumas medidas adotadas recentemente poderão ajudar a mudar esse quadro. No início de setembro, o governo aumentou a alíquota de importação de cem produtos para até 25%. A Câmara de Comércio Exterior aprovou nessa lista dez dos 13 produtos sugeridos pelas siderúrgicas, entre eles laminados planos, tubos e fios-máquina. A maioria teve sua alíquota majorada de 12% para 25%.

Outra providência foi adotada pelo Senado ao aprovar, em abril deste ano, a Resolução nº 72, que entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2013. “O Brasil está sendo bombardeado por importações. Essa medida vai por um fim à guerra fiscal nos portos, pois todos os estados terão de seguir a alíquota única de 4% do ICMS interestadual para produtos importados”, diz o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Mello Lopes.

Segundo ele, que esteve ontem no Recife participando de um seminário com jornalistas, o aumento de alíquota deverá ser suficiente para conter as importações ainda neste semestre. Até porque, por causa da Resolução nº 72, está havendo uma grande leva de pedidos de aço do exterior. A apreciação do dólar ajuda.

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“O governo brasileiro está trabalhando certo. O problema é que existem muitas assimetrias competitivas que são difíceis de equacionar”, acrescenta. Uma dessas assimetrias é o Custo Brasil. O acúmulo de carga tributária para quem produz bobinas de aço chega a 47%. Para quem faz vergalhão, é de 41%. Com isso, o custo de investimento para produzir uma tonelada de aços planos no Brasil é de US$ 1,8 mil, enquanto que na Índia é de US$ 1 mil e, na China, de apenas US$ 550.

O Instituto Aço Brasil acredita que tudo isso inviabiliza novos investimentos, sejam em expansão ou novas plantas. “Alguns segmentos de relaminação ainda cabem, mas capacidade nova de produção de aço, não”, afirmou, ao ser questionado sobre a viabilidade de projetos como o da Companhia Siderúrgica Suape (CSS). “Cada caso é um caso, mas acreditamos que o Nordeste tem um mercado potencial para esse tipo de investimento”, completou.

A CSS é um projeto do grupo Moura Dubeux e representa um investimento de R$ 1,5 bilhão. A primeira fase será uma Zona de Processamento de Aço (ZPA), que deve iniciar a operação no fim de 2013 com capacidade para processar até 250 mil toneladas de aço por ano. Na segunda fase, prevista para 2014, vai produzir laminados.

DIARIO DE PERNAMBUCO

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Sobre Fernando Clímaco

Engenheiro Agrônomo. Analista de Políticas Públicas do Sebrae e administrador do blog PE DESENVOLVIMENTO.

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