Estudo aponta novo potencial eólico

11/09/2012

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Consultoria especializada faz mapeamento das jazidas de vento de Pernambuco e revela que o Estado tem capacidade de gerar até 3 mil MW, bem mais do que se pensava

Angela Fernanda Belfort

Pernambuco tem um potencial de geração eólica de 3 mil megawatts (MW). Até ontem, se dizia que o Estado tinha um baixo potencial para receber empreendimentos desse tipo. Para o leitor ter uma ideia, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) produz, geralmente, 6 mil MW médios em suas 14 hidrelétricas. O MW mede a potência da energia e o MW médio, o consumo. Os ventos de Pernambuco estão no interior, em locais como a Serra do Araripe, Petrolina e Garanhuns, entre outras, disse a gerente executiva da Consultoria Aeroespacial, Caarem Studzinski.

O potencial dos ventos do Estado aumentou porque a consultoria levou em consideração a medição (dos ventos) realizada numa altura entre 85 e 100 metros. Esse potencial não nos surpreendeu porque existiam indicativos que os ventos teriam um potencial de geração maior em Pernambuco, se fossem analisados mais altos, afirmou o secretário executivo estadual de Energia da Secretaria de Recursos Hídricos e Energéticos, Eduardo Azevedo. Ele acrescentou que o mapa dos ventos de Pernambuco estava desatualizado, foi produzido há mais de 10 anos e analisava os ventos numa altura entre os 60 e 80 metros.

O potencial de 3 mil MW foi indicado com a conclusão da primeira etapa do Atlas Eólico de Pernambuco, que será lançado em novembro próximo. A realização do estudo foi uma iniciativa da Consultoria Aeroespacial e teve um custo de R$ 300 mil, bancados pelos sócios da empresa. Os recursos foram gastos em equipamentos, pesquisa de campo e até um treinamento de dois engenheiros na Noruega para se capacitarem no uso de um software, considerado de ponta.

Agora, refinaremos a pesquisa, apontando, onde está o vento numa precisão de 100 metros, comentou Caarem. O atlas vai ser um banco de dados integrados, reunindo informações como a infraestrutura próximas às jazidas de ventos, incluindo as linhas de transmissão e distribuição de energia, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios, a disponibilidade de insumos próximos ao local, áreas de proteção ambiental e os futuros entraves que o parque eólico pode encontrar.

Pernambuco é um Estado que pode ter o ciclo eólico completo: vai gerar energia, pode comprar localmente os equipamentos da geração – produzidos em Suape – e tem a universidade com o conhecimento nessa área, revelou.

Com um escritório em Boa Viagem, a consultoria é formada por 11 pessoas, incluindo três doutores e três mestres. O primeiro desafio da empresa foi fazer um atlas eólico usando apenas o conhecimento nacional. Queremos quebrar o paradigma. Até então, quando se deseja fazer um serviço desse tipo se contratava uma companhia europeia ou americana, alfinetou.

Jornal do Commercio

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Sobre Fernando Clímaco

Engenheiro Agrônomo. Analista de Políticas Públicas do Sebrae e administrador do blog PE DESENVOLVIMENTO.

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