Shineray repensa fábrica de motos em Pernambuco

07/09/2012

INDÚSTRIA

Importador queixa-se da alta do IPI incidente sobre produtos de baixa cilindrada da marca

MÁRIO CURCIO

Shineray interrompeu a terraplenagem em Suape. Só deve retomá-la se a tributação das motos importadas recuar (foto: divulgação)

Depois de gastar cerca de R$ 15 milhões para a construção de uma fábrica de motos no Polo Industrial de Suape, em Pernambuco, a marca Shineray pode suspender todo o projeto, com inauguração prevista para 2013. O motivo foi a elevação de 15% para 35% da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre motocicletas importadas ou montadas fora de Manaus e que tenham cilindrada até 50 cc, justamente as campeãs de vendas da marca. A mudança passou a vigorar a partir do dia 1º de setembro. Os modelos de 51 a 250 cc também tiveram a alíquota elevada, neste caso de 25% para 35%. “Nosso projeto existe desde 2010. Não é justo mudar a regra com o jogo correndo”, diz o diretor-executivo da Shineray do Brasil, Paulo Perez, que começou a importar as motocicletas da marca em 2005.

Em 2011, durante o Salão Duas Rodas, garantiu que a unidade estaria pronta em 2013. “Vamos aguardar até o fim de setembro para a definição do projeto. Se o governo federal não alterar a tributação, o projeto será repensado. Pode ser que a gente migre para a Zona Franca de Manaus, mas isso teria um custo muito alto. Já investimos muito. Vamos ter de repensar”, disse Perez.

“Paramos a terraplenagem por causa do período de chuva. O orçamento (para a fábrica) está pronto. Aguardamos licenças ambientais. O que pedimos é o bom senso, porque nenhum sistemista vai se instalar ao lado de uma montadora se não tiver motos da marca circulando na região.” A Shineray é a sétima marca em emplacamentos, com 10.543 unidades até agosto, mas seu volume real de vendas é maior que esse. A explicação é simples: no Nordeste, o consumidor muitas vezes deixa de emplacar os modelos de 50 cc (maior mercado da Shineray). Com isso, essas unidades deixam de constar no Renavam e nos registros da Fenabrave, federação que reúne as associações de concessionárias.

Em todo o ano de 2011 foram 11.969 unidades Shineray, o que significa que a marca crescerá num ano em que o mercado como um todo já encolheu quase 12% na comparação com os mesmos oito meses de 2011.

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Sobre Fernando Clímaco

Engenheiro Agrônomo. Analista de Políticas Públicas do Sebrae e administrador do blog PE DESENVOLVIMENTO.

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Um Comentário em “Shineray repensa fábrica de motos em Pernambuco”

  1. Josep Masachs Diz:

    Para o planejamento tributário de uma empresa é preciso estabilidade nas regras do jogo; é claro.

    Resposta

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