Petrobras investirá R$ 3 bilhões em fornecedores locais até 2016

14/08/2012

PETRÓLEO E GÁS

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Entre os programas assinados nesta terça-feira (13/08) pela Petrobras dentro do programa Brasil Maior para desenvolver a cadeia nacional de fornecedores para a área de petróleo está o Inova Petro, com R$ 3 bilhões de recursos para fomento a projetos de inovação.

O programa tem duração prevista até 2016 e terá os recursos divididos igualmente entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e conta ainda com apoio da Petrobras, que oferecerá conhecimento técnico e ajudará na seleção dos projetos. Os recursos fomentarão projetos que contemplem pesquisa, desenvolvimento, engenharia, absorção tecnológica, produção e comercialização de produtos.

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostrou que a participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos nos projetos da Petrobras encolheu nos últimos anos, apesar da política de conteúdo local adotada pelo governo federal. Enquanto o volume de investimentos da companhia cresceu mais de seis vezes entre 2003 e 2011, a fatia dos fornecedores nacionais caiu de 24% para 17%. Em 2005, o setor conseguiu sua melhor participação nos investimentos da companhia, de 35%. De lá pra cá, não conseguiu repetir o resultado e recuou.

Começo tímido

De acordo com Coutinho, a dotação inicial do Inova Petro é modesta, mas um primeiro passo no desenvolvimento de tecnologias na cadeia de fornecedores do setor de petróleo e gás. “Espero que nos próximos anos esse programa possa ser multiplicado”, disse o presidente do BNDES. Ele afirmou ainda que a exploração do petróleo na camada pré-sal coloca inúmeros desafios tecnológicos, mas oferece também oportunidades de desenvolvê-los.

O presidente do BNDES destacou a importância de o programa conjugar diferentes instrumentos, como crédito “em condições favoráveis”, subvenção econômica (recursos não reembolsáveis) e até participações acionárias por meio do BNDESPar. “Teremos a possibilidade de apoiar projetos de risco mais elevado, vencendo o ‘vale da morte’ da pesquisa e desenvolvimento”, disse Coutinho, referindo-se à “a conexão dos elos mais difíceis” do desenvolvimento tecnológico inicial à criação de sistemas de produção.

Outra iniciativa anunciada nesta terça-feira foi o memorando de entendimentos que estabelece ação conjunta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Petrobras e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) para desenvolvimento de Arranjos Produtivos locais (APLs) e atrair fornecedores para o entorno de empreendimentos da Petrobrás.

Novos polos

O programa tem ainda o objetivo de incentivar novos polos industriais além do Rio de Janeiro e São Paulo. Projeto piloto está sendo desenvolvido no polo industrial de Belo Horizonte, Salvador e Recife. Ainda foi mencionado o Paraná, como uma alternativa. “O que não significa que o Rio de Janeiro e São Paulo não possam ser beneficiados”, afirmou o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges Lemos.

Já a presidente da Petrobras, Graça Foster, afirmou que companhia busca índices melhores de conteúdo local, mas sem comprometer a competitividade e mantendo a disciplina de capital. “O fato é que devemos fazer isso com excelência, competitividade e melhores prazos”, disse. A executiva lembrou que os índices de conteúdo local dentro da companhia cresceram na última década.

Na área de Exploração e Produção, muitos projetos estão em 65%, ante uma média de 40% a 55% de anos anteriores. No refino, o índice citado por Graça foi de 92%. No gás e Energia, a taxa passou de 70% para 90%. Graça afirmou que a companhia não busca 100% de conteúdo local. “Quero saber o que não pode ser feito ainda no Brasil”, disse.

No mesmo evento o ministro de Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, afirmou que a indústria nacional de petróleo carrega pesados ônus do passado e, por isso, merece um esforço do governo para que possa evoluir. “O programa Inova Petro vai desenvolver um dos setores mais promissores da indústria nacional. É uma ação que visa a aprimorar o conhecimento em um área que somos líderes mundialmente, que é a exploração de petróleo e gás”, disse.

O ministro ressaltou que estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) enumera uma série de vantagens da indústria fornecedora da Petrobras em comparação àquelas que atendem outros setores. Foi dado como exemplo a constatação de que fornecedores da Petrobras pagam 80% mais do que os demais. São, segundo o estudo, empresas com mais margem de negociação, com mais tempo de mercado, que possuem mão de obra mais qualificada, que exportam mais e com mais pesquisadores. “Os fornecedores da Petrobras são mais capazes de se engajar em atividades de inovação”, disse o ministro.

* Com informações da Agência Estado

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Sobre Fernando Clímaco

Engenheiro Agrônomo. Analista de Políticas Públicas do Sebrae e administrador do blog PE DESENVOLVIMENTO.

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