No geral, as evidências têm apontado que, quanto maior a escolaridade, mais facilidade o indivíduo tende a ter para planejar, inovar e empreender, e até para obter mais sucesso.
A pesquisa global de 2011 ainda indica que, no grupo de países com economia impulsionada por eficiência (no qual se insere o Brasil), entre os empreendedores iniciais, esta relação entre maior escolaridade e maior atividade empreendedora tende a se manter.
Entretanto, os dados do Brasil revelaram uma realidade distinta: tivemos menor percentual de empreendedores com o aumento da escolaridade.
Há diversas explicações para isto: o fato de que a proporção da nossa população com maior escolaridade é menor (6,3% com mais de 15 anos de escolaridade), o fato de que até recentemente o aquecimento da economia provocou maior oferta de empregos para os indivíduos mais capacitados e o de que ainda temos pessoas com menor escolaridade empreendendo por necessidade.
De qualquer modo, quando se computam tanto os empreendedores iniciais quanto os estabelecidos, percebe-se que há maior percentual entre as pessoas que possuem o segundo grau completo.
Por outro lado, quando se examinam os dados dos empreendedores estabelecidos (com 42 meses ou mais de atuação) fica muito evidente que a escolaridade está associada à maior sobrevivência dos negócios em nosso país. Os percentuais de negócios estabelecidos aumentam claramente à medida que se avança nas faixas de maior escolaridade.
Todos estes dados terminam por indicar o papel que a maior escolaridade desempenha quer no sentido de abrir mais possibilidades para o indivíduo ter mais oportunidades no mercado de trabalho, quanto de assegurar que, uma vez decida empreender, tenha mais chances de fazer o seu negócio sobreviver.
Expectativa de geração de emprego é desfavorável
Avancemos. Esta pesquisa examina também as expectativas de geração de emprego, tanto dos empreendedores iniciais quanto dos estabelecidos, também grupando os países pelo nível de desenvolvimento de suas economias. E o Brasil revela dados desfavoráveis.
O menor ritmo de crescimento da economia, relativamente aos anos anteriores, todas as dificuldades enfrentadas para abertura e crescimento de um negócio no país, associados ao fato de que a maior parte dos negócios é pequena, em área tradicional, e que emprega os próprios familiares são fatores que provocam menor confiança e expectativa de ampliar o seu empreendimento.
Na comparação, dentro do grupo dos 24 países de economias movidas pela eficiência, ficamos nas quatro últimas posições. Isto acende um sinal de alerta, visto que se sabe que as expectativas movem as pessoas e, que os ciclos de pessimismo e de otimismo impulsionam o consumo, e o comprometimento de recursos futuros.
Inovação, concorrência e eficiência
Prosseguindo na análise surge outro dado preocupante quando se relaciona o percentual de introdução de inovação com o grau percebido de concorrência. A posição brasileira se mostra bem desfavorável, com pequenos percentuais de empreendedores que afirmam ter introduzido inovações em seus produtos ou serviços e, por outro lado, percebem a intensificação da concorrência.
Ficamos na lanterninha, ocupando as últimas posições – 53º – entre os 54 países, e o 23º, entre os 24 de economias impulsionadas por eficiência.
E o quadro se agrava quando se indaga há quantos anos existe a tecnologia adotada pelos empreendimentos iniciais e pelos estabelecidos. Fica claro que, entre os que iniciam os negócios, existe pouco arrojo tecnológico, as soluções adotadas são comuns, o que não os diferencia perante a concorrência.
Resultado: ficamos na incômoda 46ª posição entre os 54 países participantes. O que se observa é que, entre os negócios que sobrevivem há mais tempo, há um percentual maior de renovação tecnológica, mas, mesmo assim, nos situamos no 36º lugar, entre os 54, e na 13ª entre os 24 países com economias movidas por eficiência.
Creio que estes dados e colocações do Brasil alertam para a urgente necessidade de investimentos pesados na busca de novas soluções tecnológicas, e muito mais ainda na educação e difusão tecnológicas.
Se continuarmos deste jeito, não podemos pensar que alcançaremos, ainda que em algum setor, os países cujas economias são impulsionadas pela inovação. Pior ainda: pelo andar da nossa carruagem, estaremos perdendo mais ainda competitividade perante os outros países do BRIC e outros que estão despontando.
E, já que estamos entrando em época eleitoral, que tal os candidatos examinarem o que podem fazer para melhorar nossa situação?

Rose Mary Lopes, Professora e coordenadora do núcleo de empreendedorismo da ESPM


































03/08/2012
EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, PEQUENOS NEGÓCIOS