Por Marcelo Mariaca – Presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School
A falta de talentos é uma preocupação constante dos executivos e consome energia das empresas, que precisam gastar tempo e dinheiro para recrutar profissionais qualificados.
Setores como varejo e telemarketing, nos quais o turnover sempre foi elevado, são os mais críticos, mas organizações de segmentos diversos estão tendo muito trabalho para atrair e reter talentos. Há outro problema: a mão de obra no Brasil, por ser cada vez mais disputada, também está ficando mais cara que em outros países, o que afeta diretamente a nossa competitividade.
Mas não é apenas a falta de talentos que tira o sono dos executivos, contribui para aumentar a jornada de trabalho dos gestores e impacta a produtividade e a rentabilidade das organizações brasileiras. A competição cada vez mais acirrada, tanto no mercado interno como no externo, conspira contra o desempenho e o alcance das metas das empresas, por reduzir as margens de lucro.
Há outros fatores que preocupam os gestores e impactam o desempenho das organizações, como a pesada carga tributária e os problemas de infraestrutura. Mas há aspectos positivos que se contrapõem às preocupações dos dirigentes empresariais.
Pela primeira vez o governo parece de fato empenhado em fazer baixar as taxas de juros, um fator que historicamente emperrava o crédito e os investimentos produtivos.
A queda das taxas, que começou nos bancos oficiais e pouco a pouco ganha a adesão das instituições privadas, será sem dúvida um estímulo para alavancar investimentos, principalmente das micro, pequenas e até médias empresas que tinham menos acesso a crédito barato. Com juros baixos, as pessoas se animam a abrir novos negócios.
De um lado, a logística precária do país diminui a nossa competitividade frente aos concorrentes globais, pois encarece nossos produtos e consome mais recursos das empresas que poderiam ser destinados a investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Os gastos das empresas no Brasil com logística representam 10,6% do PIB, enquanto nos Estados Unidos essa relação é de 7,7%, segundo pesquisa do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Por outro lado, poucos países estão investindo tanto para melhorar a infraestrutura, o que também gera novas oportunidades de negócio.
Para se ter uma ideia, em 2012 o BNDES deve destinar, apenas para as áreas de logística e energia, cerca de R$ 26 bilhões, ou 35% a mais que em 2011. O PAC, por sua vez, contempla projetos de infraestrutura que somam R$ 90 bilhões.
Com a crise na Europa e do ritmo lento da recuperação da economia americana, empresas dos dois continentes e do resto do mundo estão ávidas por uma oportunidade de bom negócio no Brasil. E, sinceramente, isso não está faltando.
Em resumo, os problemas estruturais brasileiros ainda continuam no radar das empresas e tomam muito tempo dos executivos para superar os desafios e tornar suas organizações mais eficientes e competitivas. No entanto, para muita gente esses problemas hoje são oportunidades de excelentes negócios
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Marcelo Mariaca é Presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School


































18/06/2012
ECONOMIA BRASIL, INOVAÇÃO, TRABALHO E EMPREGO