Atração de fabricantes de máquinas ao NE é desafio

 

A falta de mão de obra qualificada é entrave para instalação de fabricantes de equipamentos na região

Ao mesmo tempo em que recebe cada vez mais atenção por parte de fabricantes e lojistas de outras regiões, o setor de calçados, no Nordeste, que tem conquistado aumento na produção e no mercado consumidor, tem demandado um número crescente de investimentos que viabilizem a manutenção do ritmo de expansão, principalmente no que se refere à maior facilidade ao acesso a matéria-prima e equipamentos. Apesar de vislumbrarem a possibilidade de se instalar na região, fornecedores aguardam um momento mais apropriado para criarem unidades produtivas.

Principal reflexo da instalação de uma fabricante na região seria a redução dos custos de produção e dos itens à venda FOTO: DIVULGAÇÃO

Das 60 fábricas que compõem a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores de Couro (Abrameq), nenhuma está localizada na região, obrigando os produtores a comprar máquinas das regiões Sul e Sudeste, o que acarreta em maiores custos de produção e menos agilidade no desenvolvimento de novos produtos. A demanda maior por equipamentos nos últimos anos está também ligada à maior frequência com que se dão inovações e lançamentos por parte dos fabricantes de calçados, por conta da competitividade.

Destaque nacional

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados e Artefatos da Paraíba (Sindicalçados) Eduardo Almeida, o esforço do setor, agora que as indústrias do Nordeste têm ganho destaque maior no cenário nacional, é atrair compradores de outros estados. O passo seguinte, que já tem sido estudado, afirma, é atração de fabricantes de máquinas para a região. Ele ressalta que o setor se prepara para dialogar com as administrações estaduais, de forma mais incisiva, para tentar viabilizar a atração. "É um namoro que ainda está no começo", comenta.

Ontem, Almeida participou do Gira Calçados, que ocorre até amanhã em Campina Grande (PB) e reúne produtores e lojistas do setor. Para que seja tomado esse novo passo no Nordeste, contudo, a região ainda precisa se mostrar mais atrativa a possíveis investidores. Entre os representantes de fábricas que se encontravam ontem no evento, uma resposta se repetia com frequência, quando eram questionados sobre a possibilidade de inaugurar uma unidade no Nordeste: "Ainda não. O mercado ainda não comporta".

Potencial, mas nem tanto

Para a maior parte dos fabricantes, o Nordeste é uma região que possui potencial expressivo, mas ainda não existe uma demanda que justifique um investimento do gênero, principalmente por conta da complexidade da instalação de uma fábrica desse tipo. Todavia, aposta a maior parte dos empresários, caso o ritmo de crescimento se mantenha, a região deverá passar a receber investimentos do gênero, logo que a instalação parecer viável.

"A gente sabe que algumas empresas individualmente já cogitam e conversam. Hoje, talvez não seja viável, mas, talvez, num futuro próximo, a gente possa estar implantando uma planta produtiva", aponta o presidente da Abrameq, Daniel Steigleder. Essa implantação, indica o gerente de vendas da fábrica Tecnomaq, Ivan Balbinot, tem ainda um grande obstáculo a ser superado: a ausência de mão de obra qualificada, no Nordeste, para atuar nesse segmento. "No nosso caso, isso é o que parece ser o maior empecilho". Conforme Balbinot, as vendas de máquinas para o Nordeste correspondem a cerca de 10% das comercializações da empresa, enquanto outros 15% a 20% são exportados e o restante é vendido às regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. "No Sul, nós temos escolas especializadas que formam mão de obra já voltada para esse setor. Isso é fundamental, porque é uma produção bastante específica", corrobora Steigleder.

Sem suporte

Para os produtores de calçados, a ausência desse tipo de suporte chega, em alguns casos, a se tornar um entrave significativo. Segundo o gerente comercial da marca Bê e Bí, que produz calçados infantis em Campina Grande, Assis dos Santos, a perda de negócios é um dos reflexos do fato. Ele conta que, devido à demora para receber um equipamento que comprara de uma empresa da região Sul, teve de atrasar a inauguração de uma nova unidade da empresa, localizada em Serra Redonda, na Paraíba. "Foi uma batalha. Esperei três meses pela máquina", diz.
Para o empresário Hélio Rodrigues, da Ramagem Couros, que possui uma fábrica em Juazeiro do Norte (CE), por conta dos representantes que as fabricantes das máquinas possuem no Nordeste, o processo de compra é mais simples, embora ainda oneroso. O principal reflexo da instalação de uma fabricante na região, afirma, seria a redução dos custos de produção e dos itens à venda.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, dos 890 milhões de pares produzidos no País em 2010, cerca de 400 milhões foram fabricados no Nordeste, onde se concentram 627 das 8,2 mil empresas do setor no Brasil.

JOÃO MOURA
REPÓRTER

O jornalista viajou a convite do Sebrae da Paraíba

Mao de obra importada por falta de qualificacao

Mão de obra é um dos principais desafios enfrentados pelas empresas que desejam se instalar no Cipp

As perspectivas de investimentos na área do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) desenham para o Ceará um horizonte de progresso e desenvolvimento socioeconômico. No entanto, para que as oportunidades geradas aqui sejam bem aproveitadas pelo Estado e beneficiem os cearenses, de um modo geral, ainda é preciso avançar em diversas áreas, como cadeia de suprimentos, infraestrutura, ambiente de negócios e mão de obra, que hoje é um dos principais desafios enfrentados pelas empresas que desejam se instalar no Cipp.

Municípios sob influência do Cipp devem refletir sobre como eles garantirão a maior inclusão de mão de obra cearense nos empreendimentos FOTO: THIAGO GASPAR

Todos esses pontos estão sendo debatidos pelo movimento Pacto Pelo Pecém, que se reuniu ontem, na Assembleia Legislativa, com os prefeitos dos municípios do entorno do Cipp para discutir como serão conduzidos os trabalhos que visam à solução de desafios enfrentados pelo polo, incluindo a escassez de mão de obra qualificada.

"Precisamos responder ao problema da necessidade de mão de obra especializada. Hoje, uma empresa que está se instalando no Cipp contratou sete mil trabalhadores. Desses, somente dois mil são do Ceará. Nós precisamos garantir que a maioria da mão de obra seja do Ceará para ganharmos com esses empreendimentos", afirmou o secretário executivo do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Assembleia Legislativa, Eudoro Santana, durante a reunião.

Ao todo, foram convidadas 68 prefeituras que se localizam no entorno do Pecém.
De acordo com ele, em algumas empresas que estão se instalando no Cipp, a maior parte da mão de obra é importada.

Atender à demanda

Para o deputado federal Danilo Forte, que também participou do encontro com os prefeitos, as universidades e as escolas técnicas do Ceará devem estar atentas às necessidades do mercado e elaborar cursos a fim de contribuir para solucionar o problema da falta de mão de obra especializada. "Nossas universidades têm que estar focadas. As escolas técnicas também", enfatizou.

Próximos passos

Durante o encontro com os prefeitos, conduzido pelo Conselho de Altos Estudos da AL, Eudoro Santana apresentou os próximos passos que serão dados pelo movimento. Na ocasião, foi distribuído um documento com oito perguntas para serem respondidas pelas prefeituras, fazendo com que os municípios reflitam sobre como eles se engajarão nos empreendimentos do Cipp e quais benefícios e malefícios poderão sofrer.

Conforme Santana, as respostas deverão ser enviadas ao conselho dentro de 15 dias e uma nova reunião será realizada para que cada município e instituição apresente suas respostas.

"Essas informações servirão para iniciar a construção do primeiro produto que queremos: o cenário atual do Cipp e seus grandes desafios. Uma outra reunião será realizada para validarmos esse documento, que deverá ser construído em seis meses", afirmou Santana.

DHÁFINE MAZZA
RE
PÓRTER

FIEPE inscreve em Programa de educacao corporativa para pequenas empresas

A FIEPE está com inscrições abertas para o Programa Gestão Executiva, de educação empresarial continuada. O projeto vai capacitar profissionais que atuam em empreendimentos de pequeno e médio porte para vencer os desafios do acirrado mercado atual com as modernas ferramentas gerenciais. Os interessados podem optar entre realizar os cursos separadamente ou participar do Programa completo, formado por seis workshops de oito horas cada.

Especialistas vão aliar aulas expositivas aos estudos de casos, promover discussões interativas e utilizar jogos de negócios para desenvolver as competências dos participantes aplicarem os conhecimentos adquiridos nos projetos de suas empresas. “Desenhamos um programa arrojado para ampliar a visão estratégica e levar as empresas de pequeno e médio porte do Estado a um desempenho superior no mercado”, afirma a coordenadora da Unidade de Produtos e Serviços da FIEPE, Cynara Melo.

O primeiro treinamento abordará a globalização e o macroambiente empresarial, no dia 14 de junho. A gestão estratégica organizacional para alavancar resultados será o tema do encontro do dia 19 de julho. Os segredos para a saúde das finanças corporativas são o foco da reunião do dia 9 de agosto, enquanto a gestão eficaz de pessoas estará em pauta dia 12 de setembro.Marketing e inovação para agregar valor aos negócios serão tratados 18 de outubro. Já uma abordagem realista para abrir novos mercados por meio da gestão internacional encerra o programa dia 21 de novembro.

Todos esses cursos serão das 9h às 18h, na sede da FIEPE, em Recife. Quem adquirir o pacote de treinamento ganha um módulo gratuito. Empresas associadas aos sindicatos filiados à Federação têm desconto na inscrição. Mais informações pelo (81) 3412.8461 ou produtoseservicos@fiepe.org.br.

BNDES corta juro para pequenas e microempresas

de economia@diariodonordeste.com.br

Rio. O BNDES anunciou ontem a redução das taxas de juros para capital de giro destinado a micros, pequenas, médias e grandes empresas. A medida é mais uma investida do governo para reduzir o spread bancário (diferença entre o que o banco paga para captar e cobra para emprestar) e elevar os investimentos.

A expectativa do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, é que a concorrência entre bancos reduza as taxas de juros para abaixo de 10% ao ano FOTO: TUNO VIEIRA

Para as micros e pequenas empresas, a redução foi de 9,5% para 6% ao ano; para as médias, de 9,5% para 6,5%, enquanto para as grandes foi de 10% para 8%. O programa vai até final de 2013. No entanto, por causa dos spreads, o valor do juros poderá chegar a 10,7% ao ano para as empresas, dependendo do porte da empresa e do banco. É sobre esse aumento que o governo quer intervir. Os empréstimos para capital de giro sairão do BNDES Progeren (Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda), que só é operado de forma indireta, ou seja, pelos bancos comerciais.

Pressão sobre spreads

A expectativa do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, com a medida é que a concorrência entre os bancos reduza as taxas de juros para abaixo de 10% ao ano. Em dois meses, o BNDES deverá fazer uma avaliação do comportamento dos spreads. A Febraban (Federação de bancos) não quis se pronunciar sobre o assunto, mas as primeiras quedas deverão vir dos bancos estatais Banco do Brasil e Caixa.

Segundo o BNDES, o Banco do Brasil é o agente mais atuante no Progeren. O programa terá R$ 14,207 bilhões até dezembro de 2013, sendo 79% voltados para médias, pequenas e microempresas. Em 2011, o programa desembolsou R$ 4 bilhões. Neste ano, foram R$ 1,2 bilhão até o mês passado.

A piora do cenário na economia internacional, com a possibilidade de ruptura na Europa, sobretudo na Espanha, gerou uma retração "muito forte" nos fluxos de crédito, segundo Luciano Coutinho. Além disso, o cenário inclui desaceleração da economia na China e queda nas cotações de commodities.

Essa é a 3ª rodada de redução em taxas de juros do BNDES. No lançamento da segunda fase do programa Brasil Maior, no início de abril, houve redução nas linhas para máquinas e equipamentos, para aquisição de caminhões e ônibus, e para exportação. Na ocasião, o Programa de Sustentação de Investimentos (PSI) – no qual o Tesouro faz aportes ao BNDES – foi estendido até dezembro de 2013.

Em 21 de maio, o BNDES anunciou novas reduções. As linhas para máquinas e equipamentos, que já haviam sido reduzidas de 8,7% para 7,3% ao ano (grandes empresas) e de 6,5% para 5,5% ao ano (médias, pequenas e microempresas), ficaram todas com taxas de 5,5% anuais, até 31 de agosto.

DIÁRIODO NORDESTE

Presidente da Petrobras concede entrevista para a EBC

de Fatos e Dados

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, concedeu entrevista ao vivo para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nesta quarta-feira (06/06), na sede da Companhia, no Rio de Janeiro. A entrevista foi televisionada pelo canal NBR e transmitida para rede de várias emissoras de rádio em todo o país.

Conteúdo nacional, programa de acesso ao crédito para fornecedores, contratação de novos funcionários, expansão da produção, política de segurança e biocombustíveis foram alguns dos temas das perguntas realizadas pelos apresentadores das rádios.

Durante a entrevista, a presidente ressaltou a  liderança mundial da Petrobras em atividades offshore e  em águas profundas e apontou que o  desafio da Companhia em relação ao pré-sal é a gestão do tempo e dos recursos para a produção  das novas reservas de petróleo e gás acumuladas seguindo as premissas de segurança ambiental.

Graça disse, ainda, que nenhuma empresa realizou descobertas tão significativas de acumulação de hidrocarboneto, de petróleo e gás natural quanto a Petrobras e que elas não se restringem à área do pré-sal. “Nós falamos do pré-sal, mas também tivemos descobertas relevantes no pós-sal.  Com todo o trabalho que fizemos no pré-sal, certamente daqui a dois, três anos, assim que terminarmos os testes de longa duração, a expectativa é que nós passemos a ter 31 bilhões de barris de óleo equivalente, ou seja, são reservas realmente muitos grandes”.

A executiva destacou que a Petrobras está entre as cinco maiores empresas de petróleo do mundo  e que  o Brasil ainda tem enorme potencial na área.  “Seremos um dos maiores produtores de petróleo do mundo, e eu digo que estamos apenas começando as atividades de exploração e produção nas camadas do pré-sal.”

Ouça a entrevista completa.

BNDES reduz taxas para projetos de geracao de emprego de empresas

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) reduziu os juros cobrados de empresas para o financiamento de projetos que ajudem a gerar emprego e renda, dentro do programa BNDES Progeren.

As taxas foram reduzidas de 9,5% para 6% ao ano, para micro e pequenas empresas, e para 6,5%, para companhias de porte médio. No caso das grandes empresas, a taxa passou de 10% para 8% ao ano.
A medida foi tomada de forma complementar à iniciativa do governo federal de estimular os investimentos na economia brasileira.

De acordo com o banco, o programa vai operar na modalidade indireta e as taxas serão acrescidas da remuneração do agente financeiro, a ser negociada entre o tomador final e o banco repassador. O programa terá vigência até 31 de dezembro de 2012 e tem orçamento de R$ 14 bilhões.

As médias empresas de toda a indústria de transformação poderão obter o financiamento. Antes, o crédito só estava disponível para algumas categorias industriais. Para as micro e pequenas, não há limitação. Para as grandes, a restrição continua para alguns segmentos.

Do total de recursos, R$ 3 bilhões serão destinados às grandes empresas, e o restante às micro, pequenas e médias empresas. As micro, pequenas e médias empresas com sede em municípios abrangidos pela área de atuação do FNO (Fundo Constitucional do Norte e FNE (Fundo Constitucional do Nordeste) terão R$ 1,1 bilhão, exclusivamente. O prazo total das operações permanece em 36 meses, incluindo o período de carência de até 12 meses.

Pernambuco estima prejuizo de R$ 412 mi com seca

De acordo com a Secretaria de Agricultura do Estado, a perda foi de, no mínimo, 91% das produções de milho, feijão e mandioca.

O governo pernambucano chegou ao valor do prejuízo cruzando dados da produtividade média de cada item com a publicação diária de valores do Ceasa-PE (Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco).

Agricultor observa gado beber água em leito de açude semi-seco em Paranatama, no agreste pernambucano

A seca ainda não chegou à zona da mata, região mais próxima ao litoral, mas a área atingida já preocupa.

A estiagem que castiga o Nordeste brasileiro neste ano já impôs prejuízo de R$ 412 milhões a agricultores familiares dos 56 municípios do sertão pernambucano.

O Estado estima redução de 20% na produção de cana-de-açúcar, que atingiu 18 milhões de toneladas em 2011.

A maior parte (70%) da cana de Pernambuco é destinada à produção de açúcar. O restante é destinada para a produção de etanol.

No agreste do Estado, entre o sertão e a zona da mata, não há estimativa de prejuízo porque o período chuvoso na região vai até fim de julho. Mas as precipitações estão em apenas 25% da média.

O consumidor já sente o impacto da seca nas produções em todo o Nordeste.

No Ceasa-PE, o preço do saco de 30 quilos de feijão carioquinha saltou de R$ 69,09 para R$ 141,26 em um ano.

A diretoria técnica operacional do centro de abastecimento atribui o aumento à perda de 80% da produção baiana e à redução de 27% no cultivo no Paraná, em razão de baixos preços praticados no ano passado.

PECUÁRIA

Uma grande preocupação dos pernambucanos é a bacia leiteira do agreste.

Em condições normais, os 110 mil criadores controlam produção 2,5 milhões de litros de leite por dia –o faturamento chegou a R$ 1,1 bilhão em 2010, diz o secretário de Agricultura Ranílson Ramos. O prejuízo em 2012 é de 30%.

"Foi um esforço de 15 anos para formar um plantel de boa qualidade. A recomposição desse rebanho é o grande problema", disse Ramos.

Sem pastagem e dinheiro para ração, criadores vendem o gado para outros Estados.

Nos primeiros cinco meses deste ano, o número de GTA (Guia de Trânsito de Animais) –documento que comprova movimentação– chegou a 980 mil, contra 650 mil no mesmo período de 2011.

Pernambuco diz que busca acelerar operações para que criadores tenham acesso a linhas federais de crédito.

FOLHA.COM