EAS enfrenta corrida contra o tempo para cumprir contratos com a Transpetro

29/05/2012

INDÚSTRIA NAVAL

Com a suspensão dos contratos da Transpetro com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) até o dia 30 de agosto, anunciada no último domingo (27), o EAS entra numa corrida contra o tempo para conseguir um novo parceiro tecnológico e assim cumprir com os demais prazos já firmados com a Petrobras.

O estaleiro deverá encontrar um substituto para a Samsung Heavy Industries (SHI), que vendeu a participação de 6% – deixando como sócios (com 50% cada), a Camargo Corrêa Naval e a Queiroz Galvão Participações e Concessões. Outra questão que se apresenta é se sem os repasses de recursos da Petrobras, o EAS terá fôlego para continuar a construção das demais embarcações.

O atraso de 20 meses na entrega do navio João Cândido acarretou ao EAS um custo adicional de R$ 170 milhões ao projeto. Como a Petrobras arcou apenas com a correção monetária da encomenda, o repasse ao EAS somou R$ 363 milhões – sendo a diferença assumida pelo estaleiro, que ainda deve pagar a multa (de valor não revelado por questões contratuais), a ser confirmada ou não em até 30 dias.

“Foi um atraso de 20 meses, mas foi uma opção do Brasil. Não somos diferentes da Coreia do Sul e do Japão, mas vamos multar. A multa é por atraso não justificável. Estou acreditando que eles (EAS) vão aumentar a produtividade. Só vou saber ser vão chegar ou não, quando eles não me entregarem”, disse o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em entrevista coletiva na última sexta-feira (25).

O Atlântico Sul tem contrato para entregar 22 petroleiros à subsidiária da Petrobras, ao custo de US$ 3,1 bilhões, até 2016. O estaleiro também construirá sete navios-sonda para a Sete Brasil, na qual a Petrobras tem participação de 10%. O total das encomendas é avaliado em US$ 4,6 bilhões.

Futuro

O segundo navio do Programa de Modernização da Frota (Promef) construído pelo EAS, o petroleiro Zumbi dos Palmares, estaria praticamente concluído, com entrega prevista para dezembro deste ano (também com atraso), e já ultrapassou o valor do contrato em R$ 100 milhões. Além dessa embarcação, o EAS já começou a construção do terceiro navio e presta serviços na montagem da plataforma P62.

A expectativa ao iniciar a construção do primeiro navio era de que após entrar em ritmo de linha de produção, a cada quatro meses o EAS entregasse um navio pronto, algo que não deve acontecer. O Estaleiro Atlântico Sul está sendo construído ao mesmo tempo em que as embarcações são concluídas – uma dificuldade a mais nesse período inicial, que se soma ao treinamento da mão de obra numa região sem tradição de atuação na indústria naval.

O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, revelou na última sexta (25) que o EAS já estava multado por não cumprir os prazos contratuais, mas que o valor da multa pode ser revisto, ou mesmo anulado, dependendo das explicações dadas pelo estaleiro. Apesar da multa, Machado disse acreditar que a produção atingirá o ritmo esperado e comparou a retomada da indústria naval brasileira à experiência de outros países.

“Vamos querer que o estaleiro atinja a produtividade, porque só tem indústria naval se tiver produtividade. (A indústria naval) É completamente viável. Vocês esquecem da Embraer. Levou quanto tempo para ser viável? Foi privatizada, deixou de ser privatizada e hoje é a terceira maior empresa de produção de aviões do mundo. Não vai ser diferente com a gente. Já vencemos dois pilares: voltar a fabricar no Brasil depois de 20 anos e o índice de nacionalização (70%), e agora vamos buscar a curva de aprendizado, para após ela, ser competitivo a nível mundial”, finalizou, acrescentando que a Coreia do Sul começou a indústria dela em 1960, mas só atingiu o nível de produtividade na década de 1990 – levando 30 anos para se tornarem líderes no segmento.

Trabalho para pelo menos mais três anos

Depois de ver reduzida a quase metade o número de funcionários, passando de 11 mil em 2011 para os atuais 5 mil, o anúncio de suspensão do contrato de 16 navios encomendados pela Transpetro pode ser considerado um balde de água fria para os que ainda trabalham no Estaleiro Atlântico Sul (EAS). A medida foi motivada pela falta de um parceiro tecnológico para a construção das embarcações, desde a saída da coreana Samsung, em março deste ano. Mas o cenário futuro não é tão desanimador, defendem sindicalistas e especialistas ouvidos pelo Diario. O EAS ainda tem garantida a construção de outros cinco navios petroleiros, semelhantes ao João Candido, entregue na última sexta-feira com 1 ano e nove meses de atraso. A produção das embarcações manterão o EAS ocupado por, pelo menos, três anos.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO

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