Recurso do BID pode ir para instalação de portos secos

19/05/2012

OUTROS TEMAS

20120519-181731.jpg

Empreendimentos que se instalarem na ZPE também poderão ser contemplados pelo programa

Os recursos provenientes do Programa de Desenvolvimento do Produtivo (Prodepro), desenvolvido através de parceria entre o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), poderão ser utilizados para a instalação de portos secos e distritos industriais, no Estado, nos pontos de encontro entre ferrovia Transnordestina e rodovias estaduais e federais. O anúncio foi feito ontem pelo governador Cid Gomes, segundo o qual a administração estadual tem a intenção de criar três postos secos no Ceará – nas regiões Norte, Cariri e Sertão Central.

Governadores e presidentes dos bancos se reuniram na tarde de ontem Foto: Natitnho Rodrigues

Conforme o Diário do Nordeste mostrou ontem, com exclusividade, o Prodepro tem como meta financiar projetos produtivos novos ou em andamento na Região, sobretudo aqueles que se encontram parados ou emperrados, por gargalos de infraestrutura econômica. Através do programa, são disponibilizados, por meio de financiamento, US$ 600 milhões provenientes do BID, com contrapartida de igual monta do Banco do Nordeste.

Ainda sem definição

De acordo com o chefe do Executivo, ainda não estão definidos quais projetos específicos do Estados poderão ser contemplados pelos recursos. “Isso demandará algum tempo. Por mais ágil que seja, pelos menos dois, três meses, no mínimo, nós teremos para pensar em quais serão os investimentos”, apontou.

Ele antecipa, porém, que os recursos previstos pelo programa também poderão ser voltados, por exemplo, para empreendimentos na Zona de Processamento de Exportação (ZPE). “Nós estamos instalando a ZPE, que tem Siderúrgica (CSP), mas, para além disso, nós queremos uma outra área que possa atrair outros empreendimentos que tenham como foco pelo menos 80% da sua produção voltara para exportação”, ressaltou.

Fac-símile da edição de ontem, quando o Diário adiantou o financiamento de US$ 600 milhões do BID, com contrapartida de igual monta do BNB

Elaboração de projetos

O governador comentou ainda que os recursos, embora, quando forem divididos entre os nove estados da Região, não sejam tão expressivos, são importantes para financiar a elaboração de projetos – ponto que precisa ser aprimorado no Ceará. “Muitas vezes você tem linhas de financiamento disponíveis, mas falta ao poder público bons projetos que possam ser implementados num prazo breve ou dentro do que se estima para essas linhas que são oferecidas”. O financiamento pode se destinar à elaboração de projetos de engenharia, de EIA/Rima e editais de licitação.

Os detalhes do Prodepro foram debatidos ontem em reunião entre Cid, os outros governadores do Nordeste, o presidente do BID, Luis Alberto Moreno e Jurandir Santiago.

Crédito para o Nordeste pode chegar a U$ 2,4 bi

Após reunião entre todos governadores do Nordeste e os presidentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, e do Banco do Nordeste (BNB), Jurandir Santiago, o governador Cid Gomes afirmou que foi formalizado um pedido ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que incremente o volume destinado ao financiamento de ações no Nordeste. Conforme o gestor, além dos U$ 1,2 bilhão previstos pelo Programa de Desenvolvimento Produtivo (Prodepro), o BNDES poderá acrescentar mais U$ 1,2 bilhão ao montante, totalizando U$ 2,4 bilhões à Região.

Segundo o presidente do BNB, o programa é destinado a projetos de infraestrutura complementar – para dar suporte a empreendimentos de grande porte – e para o financiamento de iniciativas privadas que se instalem próximas a essas estruturas maiores. “Aí, há (investimentos) mais diversos, ferrovias, estradas, ZPEs são exemplos”, ilustra Jurandir Santiago.

Prioridades

“Conversamos que essas prioridades sejam definidas por cada governo estadual, considerando sua prioridade, mas buscando sempre a integração entre os estados do Nordeste, para que sejam potencializar os resultados dos investimentos”, acrescentou o presidente do BNB.

Outro “eixo” do programa, afirmou, são ações voltadas para a atração de investimentos internacionais para a Região. O processo, disse, poderá se dar por meio de concessões ou parcerias público-privadas, por exemplo.

Prazos

O prazo de financiamento é de até 20 anos, com carência de quatro anos para início do pagamento. O programa prevê juros de 0,60% mais taxa Libor – taxa preferencial de juros para grandes empréstimos. (JM)

Cid rebate críticas sobre ações à seca

Fora da pauta oficial da reunião dos governadores do Nordeste, na tarde de ontem, a seca, que voltou a assolar o Nordeste este ano, norteou as explicações do governador Cid Gomes e do presidente do Banco do Nordeste, Jurandir Santiago, durante entrevista coletiva concedida ao fim do encontro, no Palácio do Abolição. Provocado pela imprensa, Cid Gomes justificou dizendo que “ações planejadas não podem ser antípodas de ações emergenciais” e que o governo vem tratando do problema em duas frentes.

Conforme explicou, o programa de Desenvolvimento Produtivo (Prodepro), em negociação com o BID, não ataca diretamente a seca, mas pode gerar medidas, dinamizar novos fatores de desenvolvimento para mitigar futuras estiagens. Para o governador, a solução da seca no Ceará e no Nordeste passa pela formação de novas cadeias produtivas e pelo recrudescimento da industrialização, “para que menos pessoas dependam do setor primário para viver”.

Novo perfil econômico

Cid Gomes lembrou que um terço da população cearense sobrevive no campo, da agropecuária, setor que responde por apenas 7% da economia do Estado. “Isso (a miséria no campo) só vai melhorar se desenvolvermos nosso perfil econômico”, defendeu o governador, ressaltando, no entanto, que ações emergenciais continuam a ser adotados, no sentido de mitigar os efeitos da estiagem na região.

Para tanto, ele citou a concessão de 240 mil bolsas do Seguro Safra para igual número de agricultores cearenses, a liberação, já na próxima semana, de milho ao preço de R$ 18,00, a saca, – 10% menor do que o valor mínimo – e aquisição de recursos para construção de 1.500 cisternas no interior. “Os recursos estão garantidos, mas confesso que estou preocupado se vamos dar conta de fazer tudo”, destacou.

Já o presidente do BNB, anunciou nova linha de financiamento para agricultores das cidades em estado de emergência. Cada produtor pode pegar até R$ 12 mil, a taxas de juros de 1%, ao ano, com desconto de 40%, para quem pagar em dia, e prazo de pagamento de dez anos, com três anos de carência. “Isso já está disponível nas agências do BNB”, garantiu Santiago.

JOÃO MOURA
REPÓRTER

20120519-181802.jpg

About these ads

Conecte-se

Assine o nosso feed RSS e perfis sociais. (Subscribe to our RSS feed and social profiles.)

Nenhum comentário ainda.

Comente agora!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 6.030 outros seguidores