PIB cresceu 0,7% em janeiro impulsionado pela indústria

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A economia brasileira cresceu 0,7% em janeiro na comparação com dezembro, na série com ajuste sazonal, nível acima do avanço de 0,5% registrado em dezembro e do resultado de 0,4% em novembro, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade Econômica (PIB Mensal), divulgado nesta segunda-feira. Na comparação com o mesmo período de 2011, janeiro apresentou alta de 2,6%, resultado próximo ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2,7%. A indústria, com 0,7%, foi o setor que apresentou a maior alta no mês em comparação a dezembro, enquanto serviços cresceu 0,5% e agropecuária permaneceu estável.

Para o economista da Serasa Experian Luiz Rabi, dados positivos da construção e de energia levaram ao crescimento da indústria. Rabi, no entanto, diz que ainda é cedo para falar em recuperação da indústria. O economista destaca que, na variação do acumulado de 12 meses, o setor apresenta desaceleração – o avanço no período terminado em novembro foi de 2%, passando para 1,6% em dezembro e 1,3% em janeiro. “A indústria está vivendo um momento de virada”, diz. “Daqui para a frente, a indústria deve apresentar dados mais positivos”, prevê. Do ponto de vista da demanda agregada, o consumo das famílias cresceu 0,9% na mesma base de comparação, importação de bens e serviços teve alta de 1,6% e consumo do governo aumentou 1,9%. Exportações caíram 7,6% e Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 4%.

Tendência O avanço do PIB calculado pela Serasa Experian foi diferente do resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado no início da manhã e que mostra queda de 0,13% em janeiro ante dezembro. De acordo com Rabi, diferenças de metodologia e de técnicas de dessazonalização podem ter levado a resultados discrepantes. “Mas no longo prazo os dois indicadores convergem”, afirma. Para a Serasa Experian, a tendência dos próximos meses é de expansão da economia por conta do processo de redução dos juros e da normalização dos níveis de inadimplência.Copyright © 2012 Agência Estado. Todos os direitos reservados.

País redesenha o mapa ferroviário

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O mapa ferroviário brasileiro vai mudar. No momento, cerca de três mil quilômetros de obras sobre trilhos estão em construção no país, o que ampliará a capilaridade da malha existente. Nos próximos quatro anos, poderão ser investidos mais de R$ 40 bilhões no segmento. No Nordeste, a Nova Transnordestina – investimento orçado inicialmente em R$ 5,4 bilhões – e que terá 1.728 quilômetros para interligar a cidade de Eliseu Martins (PI) aos portos de Suape (PE) e Pecém (PE) – está avançando.

Segundo o último balanço do PAC, anunciado neste mês, trecho da estrada férrea no Estado de Pernambuco, entre Salgueiro e o porto de Suape, com 522 quilômetros de extensão, está com quase 50% das obras de infraestrutura e 38% das obras de arte já realizadas. A conclusão da ferrovia, projetada para 2014, poderá criar uma nova opção de escoamento para a nova fronteira agrícola do Maranhão e Piauí e atrair novas cargas, como cimento e combustível.

Empreendimento da estatal Valec, a Ferrovia Norte-Sul – que prevê a interligação do Centro Oeste com o Sudeste – tem cerca de 1.300 quilômetros em obra. O trecho Sul I, entre as cidades de Palmas (TO) e Anápolis (GO), com 855 quilômetros, está 95% realizado e a previsão de conclusão é para julho. Já o trecho Sul II, com 682 quilômetros de trilhos entre Anápolis (GO) a Estrela D’Oeste (SP), está com mais de 15% das obras executadas e é previsto para ser inaugurado em junho de 2014. “Essa ferrovia poderá ter impacto para o agronegócio, que pode ser capaz de escoar 20 milhões de toneladas de grãos em dez anos por ali”, afirma Luiz Fayet, consultor da Confederação Nacional de Agricultura (CNA).

Em paralelo, a Valec também trabalha na construção da Ferrovia Integração Oeste-Leste (Fiol), que vai ligar Ilhéus, no litoral baiano, a Figueiropólis, no Tocantins, cortando toda a Bahia de leste a oeste.

As duas novas linhas férreas da Valec trarão uma novidade para o marco regulatório do setor: a estatal deverá ser responsável pela infraestrutura e manutenção dos trechos, enquanto operadores e usuários poderão comprar capacidade de carga, trens e vagões para transportar seus produtos, pagando o direito de passagem à Valec. “Isso reforça a figura do usuário investidor, que deverá se tornar um player importante no setor, abrindo mais uma fonte de recursos”, diz Luis Baldez, presidente da Associação Nacional dos Usuários de Carga (Anut). Na Fiol, uma mineradora já se comprometeu a comprar dez milhões de toneladas a ser transportada pela nova ferrovia.

No Centro-Oeste, a ALL está investindo R$ 750 milhões no projeto de expansão de sua malha norte, com a construção de 260 km de trilhos entre o terminal do Alto Araguaia e Rondonópolis (MT). Neste ano, devem ser aplicados R$ 150 milhões para a conclusão do empreendimento, que vai entrar em operação até o fim do ano. Isso deve permitir que o modal seja usado para escoamento da safra que começa a ser transportada no início de 2013. Com a estrada de ferro, os produtores poderão ter ganho de R$ 30 a R$ 35 por tonelada de grão, em relação à rodovia.

A primeira etapa da obra, entre Alta Araguaia e Itiquira, começou a operar recentemente. Essa região não tinha logística ferroviária, sendo que boa parte da produção era escoada pela BR-163. Nesse ponto, poderá ser escoado de 1 milhão a 1,5 milhão de toneladas de milho e soja. Até o fim de 2012, segundo o diretor-superintendente, Eduardo Pelleissone, será entregue o trecho final da obra, o que permitirá a maior proximidade com os agricultores de Rondonópolis, uma das maiores fronteiras do agronegócio no Centro-Oeste. O projeto tem estimulado investimentos em outros elos da cadeia.

Uma área de 400 hectares para terminais perto da ferrovia já teve grande demanda de empresas. Estima-se que haja apenas 20 hectares disponíveis. “Vai ser um dos maiores complexos intermodais do país, com terminais de transbordo de grãos e fertilizantes, esmagadoras de sojas”, afirma Pelleissone. A ferrovia também poderá ser uma opção para produtores de algodão do Mato Grosso, que hoje só acessam as estradas, e para fabricantes de alimentos localizadas na região. Outra carga em potencial que poderá ganhar os trilhos é o biodiesel, do qual o Mato Grosso é um dos maiores produtores. “Com esse trecho, passamos a ter ligação com Rondonópolis, ficamos mais perto da produção de biodiesel e isso deverá permitir que a gente cresça nesse segmento, que ainda é incipiente”, destaca.

No Centro-Oeste, a ALL investe R$ 750 milhões no projeto de expansão de sua malha norte, com a construção de 260 km

A MRS também prepara investimentos. Neste ano, devem ficar em torno de R$ 1,6 bilhão, com alta de 32% em relação a 2011. Os principais projetos são: implantação do novo sistema de sinalização chamado CBTC; a aquisição de equipamentos de via para a modernização dos processos de manutenção; a conclusão da Segregação Leste para melhorar o acesso ao Porto de Santos; a utilização das novas locomotivas GE, fabricadas em Contagem (MG), para aumentar a capacidade de transporte; e a chegada das primeiras máquinas para o Sistema Cremalheira, localizado na Serra do Mar, entre São Paulo e Santos.

A concessionária prevê para este ano o início da operação das novas locomotivas produzidas pela Stadler Rail, na Suíça, para o Sistema Cremalheira. A previsão é de que as duas primeiras, de um total de sete, cheguem ao Brasil no fim de agosto e fiquem em teste até dezembro, em sistema de operação assistida por técnicos do fabricante. Em janeiro de 2013, a MRS receberá outras duas máquinas, e as últimas três, em março. O processo de substituição será gradual, porque é preciso garantir a eficiência das novas máquinas sem afetar a produção. Inicialmente, as locomotivas antigas, fabricadas na década de 1970, vão continuar a operar, simultaneamente, com as novas. As novas locomotivas apoiarão o crescimento da produção estimado para este trecho, passando de 500 toneladas para 750 toneladas brutas por viagem, com maior agilidade na operação.

Para aumentar a capacidade de produção para 500 milhões de toneladas métricas de minério de ferro nos próximos quatro anos, a Vale investe na ampliação de sua capacidade portuária e na expansão da ferrovia de Carajás. A segunda maior mineradora do mundo investirá mais de US$ 2,9 bilhões para ampliar a capacidade do terminal portuário de Ponta da Madeira (MA) e a estrada de ferro de Carajás: 605 quilômetros de trilhos da linha férrea serão duplicados e a linha ferroviária será ampliada em 100 km para conectar-se à serra sul de Carajás.

A empresa também irá interligar 56 pátios ao longo dos trilhos de Carajás, o que reduzirá o tempo de paradas e fará com que os trens possam ter velocidades médias de até 80 km/h.

Fonte: Valor Econômico

Com o projeto Porto Sem Papel, Suape ganhará agilidade

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O Porto de Suape começará um processo de informatização e interligação de plataformas para integrar as atividades de vários órgãos de fiscalização que autorizam a atracação, embarque e desembarque de navios. Chamado de Porto Sem Papel (PSP), o projeto está sendo implementado pela Secretaria Especial de Portos nos principais terminais do Brasil e deve diminuir a burocracia e o tempo de espera das embarcações para atracar.

“O conceito é de janela única. No caso da importação de uma mercadoria, por exemplo, o responsável pela carga vai precisar apresentar documentação a diversos órgãos, com prazos de análises e pareceres diferentes. Com o Porto Sem Papel, a documentação dará entrada num sistema interligado, que poderá ser acessado por todos os órgãos, dando agilidade ao processo”, explica Frederico Amâncio, vice-presidente do Porto de Suape.

A nova base de dados poderá ser acessada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pela Marinha, pelo Ministério da Agricultura, pela Polícia Federal e pela Autoridade Portuária. Fred Amâncio explica que o processo é semelhante ao já existente em alguns poucos portos dos mais avançado do mundo, como Valência (Espanha) e Roterdã (Holanda).

“Não são muitos portos que usam um sistema integrado. A maioria dos países tem o sistema hoje utilizado no Brasil, de vários órgãos responsáveis pela fiscalização e liberação das embarcações. O que está sendo implementado pela Secretaria Especial de Portos é algo inovador, que vai colocar os portos brasileiros num nível de agilidade maior, diminuindo a burocracia”, considera Amâncio.

Os treinamentos para iniciar a implementação do Porto Sem Papel começam nesta segunda-feira (26/03) e seguirão por vários meses. Além de Suape, outros grandes portos do Brasil, a exemplo do Rio de Janeiro, também passarão pela integração de sistemas. O primeiro porto a implementar o Porto Sem Papel é o Porto de Santos, onde foi desenvolvido um projeto-piloto. Após Suape, o Porto do Recife também deve passar pelo mesmo procedimento.

Por Juliana Cavalcanti, da equipe do Diario

Produto de maior valor agregado cresce em portos

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O Brasil aumentou o volume de importação e exportação de produtos com maior valor agregado em 2011, embora ainda seja majoritariamente um negociador de produtos primários.

O volume de produtos transportados por contêineres nos portos do país cresceu 13% em 2011 em relação ao ano anterior. Os números são da Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviário), responsável pelo setor.

A quantidade de carga encaixotada passou de 75 milhões de toneladas ao ano para 85 milhões -produtos como grãos e minérios vão em compartimentos gigantescos dentro de navios.

O maior crescimento se deu nas importações, com mais 17%. Já as exportações subiram 9%.

Houve crescimento de material industrializado transportado, mas cargas agrícolas com maior valor agregado, como açúcar e café, já saem do país em contêineres. Além do crescimento em volume, aumentou também a quantidade de contêineres importados e exportados no ano passado em 15%.

No total de 2011, foram 6,5 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner medindo 20 pés, ou 6 metros). Dessa quantidade, 5,5 milhões foram transportados em portos públicos.

Volume Baixo

Apesar do aumento, o volume de contêineres continua baixo em relação ao total de cargas movimentadas.

O predomínio de granéis não se alterou. Granéis são bens, como minério e soja, exportados quase em seu estado natural. Ao chegar em outro país são transformados em novos produtos de mais valor de venda.

Em 2011, o total de cargas transportadas nos portos do país cresceu 6% em comparação ao ano anterior.

O movimento de granéis sólidos correspondeu a 62% do total, sendo que 48% foram de exportações.

Estoque de crédito

O estoque de LCI (letra de crédito imobiliário) ultrapassou a marca de R$ 50 bilhões pela primeira vez no Brasil neste mês, segundo a Cetip.

Até a última sexta-feira, os investimentos nesses títulos somavam R$ 52 bilhões.

“A vantagem para o investidor é que não há retenção de Imposto de Renda na fonte para pessoas físicas”, diz o diretor-executivo da Cetip, Carlos Ratto.

Nesse tipo de operação, o banco que emite os títulos é obrigado a direcionar os recursos para a área imobiliária.

“É uma forma de o governo incentivar o setor imobiliário”, afirma Ratto.

Desde janeiro de 2011, o estoque de LCI tem crescido de R$ 1 bilhão a R$ 2 bilhões por mês.

Alta da gasolina

A Petrobras sinalizou o aumento de preço da gasolina. Para Nilson Teixeira, economista-chefe do banco Credit Suisse, seria benéfico ao país reduzir a tributação na gasolina para o consumidor para que a elevação na refinaria não promovesse alta de preços na bomba e, por consequência, da inflação.

“Não me parece que elevar preços ao consumidor agora seja favorável em termos de política econômica, ainda que o reajuste na refinaria seja necessário.”

“Não se pode descartar que haja uma composição entre redução de impostos (Cide e PIS/Cofins) e alta do preço ao consumidor.”

Para que não haja aumento do risco do lado fiscal por conta da redução de impostos o governo poderia aumentar os preços em dois estágios, diz.

“Primeiro, na refinaria, zerando a Cide. Depois, conforme a arrecadação, aumentaria preços na refinaria para seguir o preço externo. É razoável que o governo espere para ver como fica a arrecadação nestes primeiros meses.”

Resultado… A Tetra Pak, empresa especializada em processamento e envase de alimentos, fechou 2011 com faturamento de € 10,36 bilhões, crescimento de 5% em relação ao ano anterior.

…embalado O Brasil correspondeu a 16% do faturamento global, segundo a empresa. A operação brasileira é a segunda mais importante no mundo para a companhia, atrás apenas da China.

FOLHA DE SP

Prêmio reconhece campeãs em gestão

Competição valoriza as melhores práticas de gestão, capacidade empreendedora e resultados alcançados pelas micro e pequenas empresas

Leandro de Souza

Bernardo Rebello/ASN
Jorge Gerdau (E) e Luiz Barretto, durante cerimônia do Prêmio MPE Brasil

FOTO: Jorge Gerdau (E) e Luiz Barretto, durante cerimônia do Prêmio MPE Brasil

Brasília – “Todos são vitoriosos. Podem ter certeza que sairão daqui com grande aprendizado. A série histórica deste evento se aprimora ano após ano. Dez anos atrás era mais difícil discutir sobre gestão do que hoje”. Com essas palavras o presidente do Sebrae, Luiz Barreto, saudou os 143 empresários que disputaram a edição nacional do MPE Brasil 2011 – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas. Os 10 empreendimentos premiados foram conhecidos na noite desta sexta-feira (23), em evento realizado no Centro de Convenções do Royal Tulip Brasília Alvorada, na capital da República.

O MPE Brasil reconhece as melhores práticas de gestão nas categorias Indústria, Comércio, Serviços, Turismo, Tecnologia da Informação (TI), Saúde, Educação e Agronegócio, além dos destaque em Boas Práticas de Responsabilidade Social e Inovação (veja aqui quem são as vencedoras). Os vitoriosos representaram Bahia, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. O MPE é uma realização do Sebrae, do Movimento Brasil Competitivo (MBC), da Gerdau e da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ).

O processo de avaliação considerou a qualidade da gestão, a capacidade empreendedora e os resultados alcançados pelas organizações a partir da implantação do Modelo de Excelência da Gestão® (MEG) da FNQ. A edição 2011 do MPE Brasil registrou mais de 58 mil inscrições. Os empreendimentos vencedores foram avaliadas por 66 examinadores voluntários.

Além do presidente do Sebrae, participaram da cerimônia de premiação o diretor-técnico da instituição, Carlos Alberto dos Santos, o presidente do Conselho Superior do MBC, Elcio Anibal de Lucca, o diretor da entidade, Erik Camarano, o diretor-executivo do Instituto Gerdau, José Paulo Soares Martins, o presidente do Conselho de Administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, o superintendente-geral da FNQ, Jairo Martins, e Mauro Figueiredo, presidente do Conselho Curador da fundação.

O prêmio é um incentivo às MPE brasileiras na busca pela excelência e no investimento em boas práticas de gestão. O presidente do conselho de administração da Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, lembrou que mais de 90 por cento dos empreendimentos no Brasil são formados por micro e pequenas empresas. “O mais importante é que nós, juntos, não percamos a fé de desenvolver cada vez mais a qualidade dos nossos serviços para conquistarmos cada vez mais espaço”, disse Gerdau aos mais de 500 convidados que lotaram o local do evento.

O superintendente-geral da FNQ, Jairo Martins, parabenizou o esforço dos gestores e avaliadores voluntários que participaram do MPE Brasil 2011, que alcançou resultados “tão expressivos que não tem paralelo no mundo”, destacou.

O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, disse que “o prêmio demonstra na prática que a pequena empresa pode ser eficiente, ter excelente gestão e ser altamente competitiva”. O vencedor na categoria Serviços de TI, Edney Mossambani, dono da Acction, disse em seu discurso que participou do MPE Brasil pela primeira vez em 2007, quando ficou em 17º lugar. “Hoje estamos aqui para recebermos esse prêmio e dizer a vocês: voltem e trabalhem duro porque isso pode trazer momentos inesquecíveis”, recomendou aos empresários que não ganharam o prêmio na edição de 2011.

AGÊNCIA SEBRAE DE NOTÍCIAS

O caminho para o crescimento

Empresas de tecnologia montam base fora do estado em busca de um mercado mais sólido e faturamento maior

Sair ou ficar no Recife? Não são poucas as empresas pernambucanas de tecnologia da informação (TI) que vivem ou viveram esse dilema. Sair significaria alcançar novos (e maiores) mercados; ficar, pode virar sinônimo de limitação geográfica e estagnação. Algumas encontraram uma saída, uma receita para crescer que não exclui uma coisa nem outra: a abertura de uma filial em São Paulo. A base tecnológica continua no Recife, enquanto que o braço comercial explora todo o potencial do Centro-Sul do país.

A NeuroTech, empresa especializada em inteligência artificial para gestão de crédito e risco baseada no Porto Digital, conseguiu aumentar seu faturamento em 180% em 2011, primeiro ano de funcionamento de sua filial em São Paulo. “Se a gente soubesse que haveria um aumento no faturamento tão alto, já teríamos aberto essa filial há mais tempo”, diz o sócio e diretor de produto da NeuroTech, Rodrigo Cunha.

Criada em 2000 como uma unidade de negócios do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R.), a NeuroTech fez seu spin off (saída da incubação) em 2003 e até hoje é alimentada exclusivamente pelo capital dos cinco sócios. Em 2008, eles compraram a participação societária do C.E.S.A.R. “São nove anos pedalando por conta própria. Não existe fórmula mágica para crescer, mas posso dizer que agora encontramos o caminho do crescimento”, comenta Rodrigo.

Até lá, o percurso foi longo. As empresas pernambucanas não foram nada receptivas às soluções da NeuroTech e o jeito foi rumar para São Paulo, em busca das grandes corporações do varejo, bancos e financeiras. Até o ano passado, o atendimento a esses clientes na capital paulista era feito através de um representante comercial em um escritório virtual.

“A gente achava que viajar uma vez por semana para São Paulo era suficiente. Mas o cliente quer sempre soluções imediatas e a NeuroTech não tinha pessoal técnico por lá. Foi quando resolvemos montar a filial e pulamos de um faturamento de R$ 5 milhões, em 2010, para R$ 14 milhões em 2011. Um crescimento considerável”, conta o diretor de produto.
Em 2012, a empresa prevê um crescimento de 43%, atingindo R$ 20 milhões. O contigente de empregados dobrou de tamanho, passando de 50 pessoas, em 2010, para 100 profissionais atualmente, 20 deles baseados em São Paulo. Na carteira, são cerca de 60 clientes diretos e quase cinco mil indiretos. “A lição que aprendemos foi: é preciso estar sempre perto do cliente”.

O diretor de inovação do Porto Digital, Guilherme Calheiros, acredita que esse é o caminho certo. O próprio parque tecnológico, aliás, está inaugurando um escritório na Avenida Paulista em abril. Um investimento de R$ 170 mil nos próximos dois anos, para uso coletivo das empresas embarcadas. “O nosso espaço geográfico é excelente para produzir inovação, mas todos nós sabemos que o mercado não está aqui. Cerca de 25% do que as empresas do Porto Digital já faturam estão no Sudeste”, pontua Guilherme.

Perfil das empresas

e.Life

O que faz: Monitoração, análise e gestão de relacionamento em mídias sociais
Ano de fundação: 2004
Faturamento em 2011: R$ 10 milhões
Crescimento (2011/2010): 100%
Mais informações: http://www.elife.com.br

NeuroTech

O que faz: Soluções para decisões em crédito, cobrança e fraude
Ano de fundação: 2000
Faturamento em 2011: R$ 14 milhões
Crescimento (2011/2010): 180%
Mais informações: http://www.neurotech.com.br

Tempest

O que faz: Soluções de software e serviços em segurança da informação
Ano de fundação: 2000
Faturamento em 2011: não informado
Crescimento (2011/2010): 87%
Mais informações: http://www.tempest.com.br

Fonte: Empresas

Aposta no Centro-Sul

Outro caso de sucesso no Porto Digital, também originada no C.E.S.A.R. e na mesma época da NeuroTech, em 2000, a Tempest Security Intelligence descobriu bem antes o caminho da roça, ou melhor, do crescimento. A empresa especializada em inteligência em segurança de informação possui escritório em São Paulo desde 2004, embora o primeiro negócio só tenha sido fechado quase um ano depois.

“A gente não entendia nada de São Paulo, então contratamos uma empresa para nos reposicionar. Até a marca tivemos que mudar”, recorda o sócio-diretor Evandro Hora. Depois de um ano em São Paulo, o faturamento pulou de R$ 600 mil para R$ 2,6 milhões. Três anos depois, a filial paulista já respondia por 50% do faturamento. Hoje são cerca de 70 clientes.

A fórmula é a mesma. Mantém-se a base tecnológica em Pernambuco e a parte comercial no Centro-Sul. No caso da Tempest, são 70 colaboradores no Recife e 20 em São Paulo, incluindo alguns técnicos que conectam a rede dos clientes à da empresa para que o pessoal do Recife possa trabalhar. “Nossa mão de obra está em Pernambuco, mas nosso mercado está lá. Hoje já temos um nome, mas teria sido impossível crescer sem um escritório em São Paulo”, conclui Evandro. (M.B.)

MICHELINE BATISTA / Diário de Pernambuco

Melhoria na renda eleva consumo de livro no NE

O gasto per capita com livros na região Nordeste ainda é o menor do país, mas o volume de consumo está perto de ocupar a segunda posição. Segundo pesquisa do Ibope Inteligência, o mercado de livros na região movimentou R$ 1,03 bilhão no ano passado, o que corresponde a um desembolso por habitante de R$ 26,34. Para se ter ideia, no Sudeste essa média chega R$ 57,90. A aposta das livrarias que operam no mercado regional é que essa diferença de gastos se torne cada vez menor. A realização das feiras literárias e o conceito das megalivrarias – que, além da venda de publicações, reúnem cafeterias e espaço para eventos dentro das lojas – estão fazendo com que os livros entrem na cesta de compras do nordestino.

Para Sônia Machado Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, as políticas econômicas que trouxeram um aumento de renda para as classes C e D estão se refletindo no consumo de livros. “A inauguração de novas livrarias em diversas cidades e a venda pela internet, que possibilita a chegada do livro nas localidades mais distantes, estão contribuindo para que o mercado da região seja ampliado”, afirma ela. “As vendas aumentaram e é visível. A nova classe C está buscando cultura e entretenimento. O livro deixou de ser um produto elitizado”, diz Cassiano Renovato, gerente comercial da Livraria Cultura. A rede, que abriu sua primeira unidade no Nordeste em 2004, no Shopping Paço Alfândega, conta ainda com lojas em Salvador e Fortaleza. No Recife, abrirá a segunda filial no próximo semestre.

“Recife, onde se localiza nossa primeira megastore no Nordeste, é uma de nossas melhores lojas em vendas. No Nordeste, de uma forma geral, observamos um maior crescimento nos últimos cinco anos, tanto nas nossas lojas quanto através das compras pelo site originadas em cidades da região”, diz Marcílio Pousada, diretor-presidente da Livraria Saraiva, que tem 12 lojas no Nordeste. “As livrarias funcionando dentro dos shoppings e as feiras literárias incentivam o público a criar uma relação com o livro”, afirma Maxwell Gomes, representante regional da Associação Nacional de Livrarias. “A queda do preço médio do livro, observada desde 2004, também contribui para essa expansão”, garante a presidente do SNEL.

De acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), entre 2004 e 2010 o preço dos livros sofreu um recuo de 4,42%. “Compro livros regularmente, principalmente, os da minha área de trabalho. Mas ainda acho que os preços estão altos. Se fossem mais baratos, acho que a gente compraria mais”, opina a professora e psicóloga Hortência Oliveira, 49 anos. “Mas as pessoas estão frequentando mais as livrarias. Estão gostando desse ambiente”, acrescenta ela.

MIRELLA FALCÃO / Diário de PE