Um sopro de investimentos

O grupo argentino de energia Impsa terá três novas fábricas no Brasil, com aportes de R$ 300 milhões.

Por Marcelo CABRAL

O argentino Jose Luis Menghini, vice-presidente da operação brasileira da Impsa, maneja com cuidado o mate enquanto prepara o chimarrão. Apesar de sua origem, ele preferia, desde que desembarcou no Brasil, o café. O problema era que exagerava, literalmente, na dose, tomando 20 xícaras por dia. O efeito colateral foi a insônia. Por esse motivo, voltou à tradicional bebida de seu país. “Agora consigo dormir de noite”, brinca, com o característico sotaque do idioma espanhol. O sono tranquilo não se deve apenas à nova bebida. Em 2012, a Impsa, um dos maiores grupos do setor elétrico na América Latina, vai abrir três novas plantas no Brasil.

54.jpg

O senhor do vento: o grupo Impsa, de Menghini, fatura quase R$ 2 bilhões por ano e emprega
cerca de seis mil funcionários.

Elas vão se somar à fábrica de aerogeradores já existente no porto de Suape, na região metropolitana do Recife. Com investimentos de R$ 300 milhões, a ordem é acelerar o crescimento médio de 20% e multiplicar a carteira, hoje no patamar de R$ 3,4 bilhões. “O Brasil já representa quase 65% de nossos pedidos e deve crescer mais”, afirma Menghini. A energia eólica é um bom exemplo. Com as vitórias alcançadas nos leilões do ano passado, o grupo chegou a um portfólio de 923 megawatts (MW), que devem entrar no sistema elétrico até 2014. Desses, cerca de 530 MW já estão instalados em parques eólicos no Ceará e em Santa Catarina. A demanda adicional é uma das responsáveis pela decisão de levantar uma nova fábrica de turbinas movidas pela força dos ventos.

55.jpg

A unidade terá capacidade para fabricar até 140 aerogeradores por ano e será instalada no Rio Grande do Sul, em  cidade ainda a ser definida. As obras, um investimento de quase R$ 100 milhões, vão começar este ano e a fábrica deverá estar em operação em 2013. A unidade gaúcha ajudará a resolver o problema da logística. O transporte das imensas turbinas de Pernambuco até a região Sul encarece o custo do produto em até 22%. A nova fábrica deverá atender os parques mais próximos, enquanto Suape ficará encarregada de abastecer as regiões Norte e Nordeste. A Impsa aposta pesado na energia eólica, que hoje representa menos de 2% da matriz nacional. A previsão da Agência Nacional de Energia Elétrica é avançar 600% até 2014, pulando dos atuais 1,4 mil MW instalados para 7 mil MW.
 Ainda muito inferior à China e aos EUA, que superam os 40 mil MW. Isso mostra que o campo para crescimento é vasto, segundo o advogado especialista José Roberto Martins, do escritório Trench, Rossi e Watanabe. “A energia eólica é vista como pouco competitiva, mas esse quadro está mudando com escala e tecnologia”, diz. “Hoje a eólica já tem preços comparáveis ao do gás natural.” A área de equipamentos hidrelétricos também receberá uma nova fábrica, localizada a dois quilômetros da unidade de Suape. Serão R$ 150 milhões na fabricação de turbinas e geradores. A encomenda inicial é a construção de quatro unidades completas de geração (geradores, turbinas e tubulações) para a usina de Belo Monte, no Pará.
Os planos não param por aí. A terceira fábrica, também a ser instalada em 2012, ficará encarregada da chamada eletrônica de potência, os dispositivos de processamento, conversão e controle de geradores. Com investimento de R$ 30 milhões, ainda não tem seu local definido, mas a tendência é que fique em Minas Gerais – a meio caminho das unidades do Norte e Sul do grupo. Além disso, a atual unidade de aerogeradores de Suape deverá receber mais R$ 35 milhões em equipamentos e infraestrutura. Com a expansão da unidade e a nova fábrica, a capacidade instalada de produção de geradores eólicos deverá quase dobrar ante as 300 unidades por ano de 2011. Hélices de sobra para aproveitar os ventos favoráveis do mercado brasileiro. (Isto É Dinheiro)

Gabrielli deverá deixar presidência da Petrobras em fevereiro

Depois de seis anos, José Sérgio Gabrielli deixará a presidência da Petrobras. Ele passará o cargo a atual diretora da Área de Negócios de Gás e Energia, Maria da Graça Foster. A troca no comando da maior empresa pública do país tem data marcada: na próxima reunião do Conselho Administrativo da Petrobrás que está prevista para o dia 13 de fevereiro. Depois de uns dias de descanso, Gabrielli vai se integrar ao governo da Bahia, onde pretende seguir carreira política.

A troca de Gabrielli por Graça Foster é um desejo antigo da presidente Dilma Rousseff que foi sendo adiado e agora será concretizado em meio a minirreforma ministerial que está em curso para a substituição dos ministros que vão disputar a eleição de outubro e de outros que são avaliados com baixo desempenho administrativo ou sem apoio político de seus partidos.

Fonte do governo garante que, com a transferência de Graça Foster para a presidência, a diretoria de Gás e Energia terá uma “solução interna”, alguém que já está na Petrobras, como forma de evitar disputa política pelo cargo. Mas, de alguns anos para cá, os partidos políticos fazem indicações de funcionários de carreira para os cargos de direção da empresa.

José Sérgio Gabrielli, que já disputou e perdeu o governo da Bahia em eleição passada, deve ser secretário do governo Jaques Wagner para tentar se preparar para disputar as eleições de 2014 – para o governo da Bahia ou para o Senado. (Revista Conexão Marítima)

ZPE do Pecém recebe investimentos e começa a virar realidade

A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza, está começando a sair do papel e virar realidade para a economia cearense. Criada no ano passado, aprovada pelo Ministério do Desenvolvimento (MDIC), a zona deve fomentar a instalação de indústrias no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) – elevando assim a geração de empregos e renda no Estado, crescendo também a arrecadação do tesouro local.

Duas licitações foram abertas na Procuradoria Geral do Estado (PGE) a fim de atender às necessidades da ZPE. Devem ser investidos, somente nesta fase, cerca de R$ 7,8 milhões. De acordo com o Governo do Estado, os processos estão sendo feitos para os serviços de terraplanagem, pavimentação e drenagem da primeira etapa da ZPE. Também devem ser feitas as obras de construção da va principal de acesso à zona.

Somente os serviços de terraplanagem, pavimentação e drenagem devem consumir recursos na ordem de R$ 5,4 milhões. Já a construção da via principal está orçada em R$ 2,36 milhões. O Complexo Industrial e Portuário do Pecém é localizado em Caucaia e São Gonçalo do Amarante, no Pecém. Entre os projetos em fase de instalação ou criação no Pecém estão a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e a refinaria Premium II, da Petrobras.

Ao se instalar em uma ZPE, conforme as legislações específicas, as empresas têm uma série de incentivos para funcionar, de modo a operacionalizar de maneira mais viável a política de exportações.

A própria Siderúrgica deve estar na lista. No Ceará a ZPE é gerida pela Empresa Administradora da Zona de Processamento de Exportação do Pecém (Emazp). As licitações devem ter início em 23 de fevereiro.