Grupo MAXEN interliga Filiais com tecnologia Voip

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O Grupo Maxen adota a tecnologia voip nas suas filiais em Pernambuco (foto) e Rio de Janeiro, facilitando a comunicação destas unidades com ligações diretas por ramais, utilizando a rede internet, sem custo de ligação.

Além de economizar até 80% de desconto em relação as tarifas de chamadas telefônicas cobradas pelas operadoras de telefonia convencionais, o Grupo Maxen, empresa com mais de 10 anos de mercado e faturamento na ordem de R$ 200 milhões de reais, interliga suas filiais do Rio de Janeiro e Pernambuco como primeira etapa no processo de utilização do sistema de telefonia voip em suas unidades.

A BHI Telefonia e Internet foi a empresa escolhida pelo Grupo para este desafio. Otimizando a tecnologia, foi possível implantar um sistema telefônico inteligente e com boa qualidade de voz na Unidade Maxen de Escada (PE) a 60km de Recife, utilizando apenas 512k de link dedicado via rádio para o funcionamento de um sistema telefônico para até 100 ramais e em média 10 chamadas simultâneas. O controle de acesso as ligações por senhas individuais e os relatórios de consumo facilitam a gestão da utilização do sistema, reduzindo perdas com gastos excessivos.

Em sua unidade no Rio de Janeiro, o Grupo Maxen utiliza o mesmo sistema implantado em sua unidade Pernambucana. A única diferença é que nesta localidade foi implantado um sistema para audio conferência gerenciavel.O Grupo Maxen adota a tecnologia voip nas suas filiais em Pernambuco e Rio de Janeiro, facilitando a comunicação destas unidades com ligações diretas por ramais, utilizando a rede internet, sem custo de ligação.

Além de economizar até 80% de desconto em relação as tarifas de chamadas telefônicas cobradas pelas operadoras de telefonia convencionais, o Grupo Maxen, empresa com mais de 10 anos de mercado e faturamento na ordem de R$ 200 milhões de reais, interliga suas filiais do Rio de Janeiro e Pernambuco como primeira etapa no processo de utilização do sistema de telefonia voip em suas unidades.

A BHI Telefonia e Internet foi a empresa escolhida pelo Grupo para este desafio. Otimizando a tecnologia, foi possível implantar um sistema telefônico inteligente e com boa qualidade de voz na Unidade Maxen de Escada (PE) a 120Km de Recife, utilizando apenas 512k de link dedicado via rádio para o funcionamento de um sistema telefônico para até 100 ramais e em média 10 chamadas simultâneas. O controle de acesso as ligações por senhas individuais e os relatórios de consumo facilitam a gestão da utilização do sistema, reduzindo perdas com gastos excessivos.

Em sua unidade no Rio de Janeiro, o Grupo Maxen utiliza o mesmo sistema implantado em sua unidade Pernambucana. A única diferença é que nesta localidade foi implantado um sistema para audio conferência gerenciável.

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Fábrica reforça projeto do Arco Metropolitano na BR-101

Montadora de veículos em Goiana consolida o Arco Metropolitano, projeto de ligação direta para o tráfego pesado entre Itamaracá e Suape. Seu uso será pago

A chegada da Fiat à Goiana, complementando um total de R$ 12,1 bilhões em investimentos anunciados para a Mata Norte, consolidou o projeto de construir uma rodovia bilionária chamada de Arco Metropolitano. A via de 98 quilômetros ligará diretamente a BR-101 Norte à BR-101 Sul, cortando a BR-232 e a BR-408 e evitando o sufocado trecho urbano de 30 quilômetros da rodovia federal. O Arco, estimado em R$ 1,8 bilhão, será criado especificamente para atender ao tráfego pesado, de cargas, nos mesmos moldes que o Rodoanel de São Paulo.

A nova rodovia pernambucana era planejada há alguns anos como uma obra pública. Mas no dia 7 de junho passado, o governo estadual autorizou estudos para a exploração do Arco pela iniciativa privada. Ele pode ser uma concessão simples ou uma parceria público-privada (PPP), com uma contrapartida pública para complementar sua receita.

Será a terceira concessão rodoviária, com pedágio, de Pernambuco. As outras duas estão na Reserva do Paiva, entre Jaboatão dos Guararapes e o Cabo de Santo Agostinho, e em Suape esta um conjunto de 43 quilômetros de vias prontas e em obras batizada de Express Way.

A análise de viabilidade econômico-financeira do Arco Metropolitano está a cargo de um consórcio formado pela Odebrecht, Queiroz Galvão e Investimentos e Participações em Infraestrutura (Invepar).

O prazo inicial para a apresentação dos resultados dos estudos era dezembro. Mas o governo solicitou a entrega antecipada em dois meses, para outubro, explica o secretário de Desenvolvimento Econômico, Geraldo Júlio.

A BR-101 virou uma via urbana. Como a Fiat terá um centro logístico em Suape, aumentou a necessidade de ligação rodoviária com a Mata Norte, o que faz do Arco um processo necessário e irreversível, argumenta o secretário.

Além da Fiat e do tráfego de cargas que naturalmente utilizará a nova rodovia para evitar o trânsito sufocado da BR-101 urbana, outras empresas localizadas na Mata Norte que precisarão do Arco Metropolitano serão as fábricas de vidros planos e vidros automotivos do grupo Brennand e as companhias do polo farmacoquímico,que até agora inclui a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a suíça Novartis.

O Arco Metropolitano e a Express Way, juntas, ainda desafogarão o tráfego na PE-60, via planejada para ser turística, de veículos leves, e que claramente hoje sofre a degradação pelas fortes chuvas e pelo fluxo de cargas de Suape. A concessão da Express Way está a cargo da Odebrecht e da Invepar.

Giovanni Sandes / Jornal do Commercio

Fiat incentiva indústria local

Empresas já instaladas em Pernambuco, como Musashi, TCA e Moura, elevarão seus investimentos para atender à montadora
Entre 5 mil e 8 mil itens são usados na montagem de um automóvel. Isso dá uma ideia dos negócios gigantes que envolvem a implantação da montadora da Fiat. A confirmação da planta em Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco, que ocorreu na semana passada, está levando algumas empresas a fazerem novos planos, incluindo investimentos, aumento da produção no futuro e mais empregos. Para montar os veículos, serão necessários assentos, componentes plásticos (para-choque, painel), amortecedores, direção, bancos, filtros de ar, filtros de combustível, entre outros. É uma grande diversidade de produtos, resume o coordenador do Núcleo de Desenvolvimento, Articulação e Integração Industrial da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Antonio Sotero.

Já estamos em negociações com a Fiat, mas não posso citar números. Se fecharmos esse contrato, vamos investir mais e gerar novos empregos, diz o diretor operacional da Musashi, Roberto Hazin. Localizada em Igarassu, a Musashi fabrica engrenagens usadas nos motores e câmbio automotivos, empregando mil funcionários.

No rastro da implantação da montadora, a empresa Baterias Moura iniciou, em janeiro último, um investimento de R$ 500 milhões nos próximos 10 anos. A nossa expectativa é que esse investimento cresça, porque ocorreu um aumento do investimento total da Fiat. A fábrica de Belo Jardim já está um canteiro de obras, afirma o diretor comercial da Baterias Moura, Luiz Mello. No final do ano passado, quando a montadora foi anunciada, seriam empregados R$ 3 bilhões na implantação da fábrica com a capacidade para produzir 200 mil veículos por ano. Na semana passada, o presidente da Fiat no Brasil, Cledorvino Belini, afirmou que o investimento será de R$ 4 bilhões na unidade que poderá fabricar entre 200 mil e 250 mil veículos anualmente.

O otimismo da Moura é grande. A nossa crença é que seremos mais competitivos porque estamos próximos e somos fornecemos da Fiat há 32 anos, diz Mello, acrescentando que a empresa local fornece 70% do que a Fiat compra para os automóveis e 100% das baterias da Iveco, uma empresa do mesmo grupo, que produz vans. As modificações que estão sendo feitas na fábrica da Baterias Moura vai fazer com que a empresa chegue a 2016 com um aumento de 30% da capacidade instalada comparando com a atual.

As alterações feitas na fábrica visam, segundo Melo, atender ao crescimento do mercado de reposição e aos novos contratos que a empresa vai conseguir. A empresa também esteve, nos últimos três anos, entre os fornecedores contemplados com o Prêmio Qualitas, iniciativa da montadora que reconhece os fornecedores que se destacam pela qualidade. A implantação da Fiat em Pernambuco tem tudo para ser um casamento perfeito, destaca Mello. A Baterias Moura produz cerca de 6 milhões de baterias por ano e emprega cerca de 3 mil funcionários.

A expectativa de atender a Fiat também chega aos empreendimentos que estão se implantando em Suape e até a alguns que ainda estão no papel.

A implantação da Fiat enriquece o nosso projeto. Estamos conversando com a empresa desde o começo do ano, admite o diretor de operações da Companhia Siderúrgica Suape (CSS), Alberto Cunha. No projeto original, a empresa incluiu uma linha de produção de aço galvanizado, que é muito utilizado na produção de veículos. A nossa intenção é fazer uma ajuste nessa linha e atender à montadora, comenta. As obras de terraplenagem da CSS devem começar no segundo semestre deste ano.

Outras empresas que deverão ter uma parte da sua produção destinada à montadora são a antiga TCA comprada pela própria Fiat que tem uma unidade em Jaboatão dos Guararapes na qual fabrica chicotes elétricos e a PetroquímicaSuape, a qual está se implantando naquele complexo industrial. A planta petroquímica vai produzir um filamento liso (Full Draw Yarn), matéria-prima usada para fazer assentos dos automóveis e o estofado lateral. A estatal também vai produzir o filamento texturizado (Full Draw Yarn) e a resina PET. A partir do primeiro é fabricado um item presente em todos os veículos, o cinto de segurança. O segundo é utilizado na estrutura do piso de alguns veículos.

A expectativa, segundo empresários que atuam no setor, é que as empresas que fabriquem cintos, assentos e estofados se implantem por aqui já que as matérias-primas necessárias serão produzidas pela petroquímica, que vai estar fabricando os três materiais até o final de 2012.

O aumento da produção não chega apenas nas atividades ligadas ao setor automotivo. Uma montadora do porte da Fiat vai gerar uma movimentação de cerca de 100 mil TEUs por ano, independente da localização ser Suape ou Goiana, afirma o presidente do Terminal de Contêineres do Porto de Suape (Tecon-Suape), Sérgio Kano. Isso vai significar um acréscimo de 25% da movimentação deste ano, que deverá ser de 400 mil TEUs. O TEU é uma unidade que mede o que pode ser transportado num contêiner de 20 pés.

38 mil homens em duas obras

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É com saudosismo de um passado recente, que os moradores do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca falam das transformações no cotidiano das duas cidades. “Aqui era um lugar pacato. A gente conhecia todo mundo. Saíamos à tarde para conversar na calçada de casa. Agora não conhecemos mais ninguém. Chegaram esses homens com palavreado diferente e tomaram os bairros, as praias. A cidade virou dormitório de Suape”. No desabafo comum aos nativos, os homens de sotaque são os operários que migraram de todos os Estados do Brasil para trabalhar na construção de empreendimentos como a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e a PetroquímicaSuape (PQS).

Sem mão de obra qualificada na área de montagem, Pernambuco precisou importar boa parte do operariado, provocando o surgimento de uma “minicidade” na região de Suape. Hoje, 38 mil peões trabalham nas obras da refinaria e da petroquímica. O número representa quase metade da população de Ipojuca (veja arte). Essa “minicidade” ainda vai crescer quando a Rnest alcançar o pico da construção, em outubro, totalizando 28 mil funcionários.

Do total de operários das duas obras, 35% (13,3 mil pessoas) vieram de outros Estados e estão alojados nos municípios vizinhos ao complexo, principalmente no Cabo e em Ipojuca. A eles ainda se juntam os pernambucanos que moram em municípios do interior e também precisam se instalar na vizinhança de Suape. Só os alojamentos somam quase 10 mil vagas. Isso sem falar nas repúblicas espalhadas por casas e pousadas alugadas. Além desses 38 mil homens, outros 20 mil trabalham nas indústrias e empresas de serviços já implantadas no complexo.

Forjadas na cultura da cana-de açúcar, Ipojuca e Cabo viveram a transição para uma economia industrial, com a implantação do Complexo de Suape, há três décadas. Mas é só agora, com a enxurrada a um só tempo de US$ 22 bilhões em empreendimentos até 2014, que os impactos se sobressaem. O Brasil volta os olhos para Pernambuco. Aqui está o novo, o platô do desenvolvimento econômico que estimula uma espécie de corrida do ouro, como aconteceu em Serra Pelada, no Pará, na década de 80. Lá o saldo foi de favelização, baixos indicadores sociais e degradação ambiental.

Pernambuco e Rondônia (com a construção das hidrelétricas do Rio Madeira) são hoje os Estados com maior onda migratória no País, por conta das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. A diferença é que, historicamente, Porto Velho viveu os ciclos da borracha e do garimpo, enquanto a tradição pernambucana sempre foi de exportar trabalhadores para outras regiões do Brasil. O carpinteiro alagoano Josemar Elísio da Silva realça essa onda migratória de retorno ao Nordeste. Com apenas 23 anos, já trabalhou no Espírito Santo, Rio e Minas. “Agora estou bem mais perto de casa. Quero trabalhar, juntar dinheiro e levar para minha família, em Delmiro Gouveia”, diz. Dividindo um quarto de 18m² no alojamento da Odebrecht com outros cinco conterrâneos, ele foi contratado para a obra da petroquímica em maio.

Se por um lado os municípios do Cabo e de Ipojuca comemoram o momento de ebulição na economia, por outro, precisam conviver com as dores do crescimento. O batalhão de operários que chegou com as indústrias fez explodir as demandas sociais. O déficit habitacional que já existia na região vai duplicar. As cidades não têm sistema de água e esgoto para suportar população equivalente a um novo município. Invasões se multiplicam, inclusive em áreas de preservação ambiental. O trânsito beira o caos. Bancos e postos de saúde estão sempre lotados. O consumo de drogas e de álcool explodiu. Prostituição e exploração sexual de menores crescem em ritmo galopante. “A necessidade de investimentos sociais e em infraestrutura surge numa velocidade que o poder público não consegue acompanhar”, assinala a secretária de Planejamento e Meio Ambiente do Cabo, Vera Tenório. A preocupação é compartilhada pela assessora especial da Prefeitura de Ipojuca, Simone Osias. “Os municípios do entorno de Suape precisam se unir e conclamar o governo do Estado e as empresas para avaliar o que pode ser feito para minimizar os impactos negativos e planejar esse crescimento”, defende.

MUITA GENTE PRA POUCA MORADIA

Juntos, os municípios do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca abrigam uma população que beira os 270 mil habitantes. Isso sem contar com os operários forasteiros vivendo na região. Falta casa pra tanta gente. A agência de planejamento de Pernambuco, Condepe/Fidem, estima um déficit habitacional de 35 mil residências nos cinco municípios vizinhos do Complexo de Suape. Com a efervescência econômica da região, esse número deverá saltar para 85 mil até 2035. A escassez de moradias e uma inflação imobiliária desenfreada fez proliferar as invasões de terra.

Os terrenos públicos são o principal alvo, colocando em xeque a capacidade do Estado e das prefeituras de coibir a construção de casas, que “brotam” numa velocidade espantosa na região. Barracos e casebres surgem até em áreas de preservação ambiental e patrimônio histórico. A reportagem do JC acompanhou o aparecimento de uma invasão na comunidade de C.Povo, no Cabo. Em março, os barracos de lona apareceram num terreno em frente à Igreja Batista da comunidade. Um mês depois, os ocupantes já haviam erguido casas de alvenaria.
“Eu e meu marido estamos desempregados. Vivo de fazer bicos, vendendo coxinha ou trabalhando como ajudante de cozinha. Temos quatro filhos pra criar. Depois que veio esse monte de gente trabalhar em Suape, os aluguéis subiram demais. A gente pagava R$ 300 numa casa de dois quartos, que hoje custa R$ 500. Não dá pra pagar, por isso construímos aqui”, diz Cícera Lourenço da Silva. O poder público demorou três meses para retirar a ocupação de 12 casas, derrubada em junho. Agora, Cícera alugou por R$ 300 uma casa de um quarto, que abriga hoje nove pessoas da família. A secretária de Programas Sociais do Cabo, Edna Gomes, conta que começaram a aparecer moradores de rua no município depois da explosão do emprego em Suape. “São pessoas que vêm de outros Estados e querem se alojar em qualquer lugar até conseguir um trabalho. Alguns acampam em barracas e dentro de contêineres. Estamos recolhendo esses homens e mulheres e, muitas vezes, bancando passagens aéreas para que retornem a seus lugares de origem. Precisamos ter uma casa de passagem na cidade”, afirma.

O problema reverbera dentro dos terrenos do Complexo de Suape. O vice-presidente do porto, Frederico Amâncio, diz que o Plano Diretor apontou para a existência de 25 mil pessoas vivendo nos domínios de Suape. “Estamos avaliando o projeto de construir 2.600 casas com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida para abrigar os posseiros que serão retirados de áreas consideradas estratégicas para o porto”, afirma. A previsão é investir R$ 200 milhões nesse Projeto Morador, que se arrasta desde o início da primeira gestão do governador Eduardo Campos. Do lado da iniciativa privada, o Estaleiro Atlântico Sul está concluindo a construção de uma Vila Operária com 1.328 casas para seus funcionários.

A Praia de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, deixou de ser um lugar frequentado por turistas e veranistas. Pousadas e casas do balneário se transformaram em repúblicas de trabalhadores. As empreiteiras arrendam as hospedarias e oferecem preços acima do valor de mercado por casas e prédios inteiros para alojar seus operários. O panorama, que se repete em outras praias e bairros dos municípios do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, desencadeou uma especulação imobiliária desmedida na região.

O valor dos imóveis explodiu, os terrenos escassearam e o preço do metro quadrado saltou de R$ 500 para até R$ 2 mil. A Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) estima que os aluguéis na vizinhança de Suape subiram 20% em 2010 frente ao ano anterior e alcançaram valores equiparáveis à de bairros valorizados do Recife. A previsão é que persista a tendência de alta, com a chegada de novos operários para dar conta do pico da obra da Refinaria Abreu e Lima, em outubro, quando o canteiro terá 28 mil pessoas.

“Os moradores estão alugando suas casas e indo morar em outros lugares para aproveitar a oportunidade de negócio. Nossa preocupação é que essa sublocação traga problemas para a cidade, porque as residências ficam entregues a terceiros, pessoas sem compromisso com o município. E a prefeitura não tem como controlar esse movimento especulatório”, assinala a secretária de Planejamento do Cabo, Vera Tenório. É corriqueiro encontrar residências de dois quartos apinhadas de operários dividindo um banheiro, com instalações sanitárias degradantes.

A especulação imobiliária também instituiu o negócio dos “puxadinhos”, com os moradores construindo quartos e casas para alugar. Irandir Amaro Pojuca entendeu que o trunfo para driblar a escassez de terreno era verticalizar a construção. No pedaço de terra que tem no distrito de Nossa Senhora do Ó, em Ipojuca, a construção subiu degraus. No térreo instalou seu negócio de fabricação de lajes. Depois ergueu quatro casas no primeiro andar. “Agora estou construindo outras quatro no segundo andar. Duas já estão alugadas para um baiano e um sergipano, que trabalham nas obras de Suape e querem trazer a família”, diz. Ele está investindo R$ 8 mil na obra e espera alugar cada casa de dois quartos por R$ 500. Antes, o preço era R$ 400.

A multiplicação das repúblicas de trabalhadores não conta com a simpatia do trade turístico. Nem mesmo Porto de Galinhas (a praia mais badalada de Pernambuco) escapou à ocupação dos forasteiros. Pelos menos 15 pousadas foram alugadas para empreiteiras. “O arrendamento desses estabelecimentos é uma disfunção do setor. O que se espera para um destino turístico de lazer é um público de casais, famílias e viajantes. O que temos hoje é uma grande comunidade masculina”, reclama o empresário Arthur Maroja, do hotel Solar de Porto de Galinhas. Na tentativa de frear a proliferação das hospedarias para operários, a Prefeitura de Ipojuca iniciou uma fiscalização.

Os municípios-dormitório convivem, ainda, com a implantação de alojamentos. Hoje são quatro em funcionamento e construção no Cabo e em Ipojuca, com capacidade para 9.476 homens. A discussão travada pelas prefeituras é a necessidade de instituir contrapartidas a serem pagas pelas empresas em razão das demandas sociais geradas pelo operariado alojado nas cidades.

Especial / Jornal do Commercio

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Suape, passaporte para o futuro

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Sobrevôos de helicóptero viraram rotina no Complexo Industrial Portuário de Suape. São pelo menos oito por mês. É do alto que o governo de Pernambuco gosta de apresentar, a empresários daqui e do exterior, o maior polo de atração de investimentos do Brasil. Distante 50 quilômetros do Recife, com área distribuída entre os municípios do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, esse gigante tem uma carteira de empreendimentos privados estimada em US$ 22 bilhões. A construção de uma refinaria de petróleo, de estaleiros, de um complexo petroquímico, de dezenas de fábricas e de projetos de infraestrutura faz de Suape um canteiro de obras sem similar em território nacional. Redenção da nova economia de Pernambuco, Suape poderá devolver ao Estado sua posição de liderança regional.

“De cima é possível ter uma dimensão do que é Suape hoje, desde a área portuária até o complexo de indústrias. Recebemos, por mês, uma média de 20 grupos de empresários e instituições interessadas em conhecer o fenômeno que ocorre aqui”, diz o vice-presidente do porto, Frederico Amâncio. Os empresários que escolhem o complexo como endereço de seus negócios, apontam pelo menos três singularidades em comum: localização geográfica privilegiada, boa infraestrutura e mercado consumidor em expansão.

A chegada de grandes empreendimentos veja artes provocou uma mudança de escala no porto. Os investimentos públicos saltaram da casa dos milhões para alcançar o patamar dos bilhões. Nos últimos 4 anos, os aportes do governo somaram R$ 1,1 bilhão. Para o próximo quadriênio, a projeção é desembolsar R$ 4,4 bilhões em obras. São intervenções para melhorar a infraestrutura portuária, com a construção de novos cais, além de obras viárias, de mobilidade e habitação. Os investimentos da iniciativa privada também se multiplicam. Atualmente, 114 empresas integram o complexo industrial, gerando 20 mil empregos, e outras 30 estão em implantação.

“Não é mais possível pensar em Suape sem olhar o que acontece no mundo. Os países emergentes ganharam importância na economia global. Os Brics (Brasil, Rússia, China e Índia) já representam 22% do PIB mundial. Nessa tendência, Brasil, Nordeste e Pernambuco ganham importância”, aposta o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado e presidente do Porto de Suape, Geraldo Júlio. Com players mundiais instalados em Suape, a exemplo da Petrobras, a diretoria do complexo criou o fórum Suape Global e elaborou um novo plano diretor do local. O fórum quer transformar o Estado num polo provedor de bens e serviços para as indústrias de petróleo e gás, naval e offshore. E o plano diretor revisado vai permitir planejar a expansão de Suape num horizonte de 20 anos.

A estratégia do governo de Pernambuco é transformar Suape em um hub port (porto distribuidor de cargas) do Nordeste. A movimentação de mercadorias, que hoje cresce a taxas superiores a do PIB estadual, terá salto exponencial quando a refinaria, o polo petroquímico e a ferrovia Transnordestina entrarem em operação. No ano passado, Suape movimentou 9 milhões de toneladas, com crescimento de 16,3% sobre 2009. Para este ano, a estimativa é alcançar 11 bilhões de toneladas e saltar para 30 milhões em 2013 e 50 milhões em 2016. Só no primeiro semestre deste ano, a expansão já foi de 20,1% sobre igual intervalo de 2010. “Também fomos o primeiro porto do Nordeste a operar linhas direta para a Ásia. A partir deste ano passamos a contar com duas linhas. Antes, essa movimentação era feita a partir do Porto de Santos”, comemora Amâncio.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, afirma que o gigantismo de Suape exige a prática de uma nova governança. “Cresce na nossa consciência a importância de planejar a expansão dessa região. Não queremos repetir desigualdades que se arrastam por quatro séculos de história. Porque de desigualdade esse território de Suape entende. São marcas muito profundas, que começaram com a exploração dos índios e dos escravos, e não poderão se repetir nesse novo ciclo de desenvolvimento”, defende.

HISTÓRIA

Em novembro deste ano, o Complexo de Suape comemora 33 anos de história. “Quando o então governador Eraldo Gueiros lançou a pedra fundamental do primeiro porto-indústria de Pernambuco, já vislumbrava que o complexo se transformaria em motor da economia do Estado. O projeto inicial previa a implantação de uma unidade de refino e de estaleiro, que hoje se concretiza”, recorda o jornalista Anchieta Hélcias, que integrou a primeira equipe responsável por tratar da implantação de Suape. O porto alterou a paisagem da região, secularmente ocupada pelo cultivo da cana-de-açúcar. As indústrias surgiram no lugar dos engenhos e mudaram o curso da história.

Pernambuco vive um processo de reindustrialização. Após duas décadas de letargia, o setor volta a ter relevância no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, capitaneado pelos empreendimentos ancorados no Complexo de Suape. A economia historicamente arraigada na cana-de-açúcar estreia, agora, em setores de integração global. O Estado crava sua bandeira no mundo do refino de petróleo e da petroquímica e na emergente indústria naval.

“Entre 1985 e o final dos anos 90, a economia do Estado não se deu bem e o principal problema estava na indústria de transformação. Setores inteiros deixaram de existir e outros perderam força. Um exemplo foi a atividade têxtil, que impactou outras indústrias da cadeia produtiva, como a metalmecânica”, recorda a economista Tania Bacelar, especialista em estudos do Nordeste.

Eram tempos amargos para a economia pernambucana. Os empresários andavam cabisbaixos e pairava um clima de desânimo com as repetidas notícias de que o Estado perdia espaço no cenário nordestino para Ceará e Bahia. O PIB apresentava taxas negativas de expansão. De 1985 até 2003, o crescimento médio da economia foi minguado (1,9%). O setor industrial estava estagnado (0,5%) e a indústria de transformação registrava taxa negativa de 0,6%. A participação da atividade no PIB despencou de 25% para 11,3%. “Agora existe uma tendência consolidada de retomada da participação da indústria na economia do Estado, com perspectiva de que volte a representar um quarto ou um terço do PIB”, acredita o economista Sérgio Buarque.

Enquanto o Brasil fala em desindustrialização, por conta do câmbio que provocou uma desova de produtos importados por aqui, Pernambuco comemora uma nova revolução no setor. As transformações têm contornos semelhantes (guardadas as proporções) ao que aconteceu na Inglaterra no século 18, durante a Revolução Industrial. O país europeu experimentou um acelerado crescimento econômico, mas também conviveu com concentrações urbanas (por conta do deslocamento rural para as cidades), com trabalhadores habitando cortiços, com crescimento exponencial da população de Londres e aumento das demandas sociais.

Em Pernambuco, a industrialização protagonizada por Suape motivou a volta de nordestinos para a região, uma invasão de trabalhadores de outros Estados e o desafio aos municípios de oferecer infraestrutura para dar conta das necessidades sociais que surgiram. A renovação da indústria mudou, ainda, a relação entre capital e trabalho. A importação de operários mais politizados e com experiência nacional mudou o cenário dos canteiros de obras, impondo aos industriais a necessidade de reaprender a dialogar com essa nova mão de obra.

Em 2035, Pernambuco, que tem um Produto Interno Bruto (PIB) hoje de R$ 80 bilhões, poderá ter seu conjunto de riquezas equivalente ao do Nordeste, atualmente na casa dos R$ 400 bilhões. Ou, numa projeção menos otimista, alcançar a casa dos R$ 255 bilhões. Em qualquer um dos dois cenários, traçados por especialistas, a economia do Estado vai crescer pelo menos três vezes, na comparação com o panorama atual. O Complexo de Suape será a locomotiva dessa expansão e vai motivar um crescimento acelerado também nos municípios do chamado território estratégico, responsáveis por 20% do PIB estadual.

Mesmo antes da entrada em operação de grandes empreendimentos, como a Refinaria Abreu e Lima, o “Eldorado pernambucano” já mostra sua força transformadora na economia. Enquanto o PIB brasileiro ficou estável em 2009, com crescimento de 0,2%, registrou taxa de 5,6% no Estado. No ano passado o PIB pernambucano se aproximou dos dois dígitos (9,3%), enquanto o nacional ficou em 7,5%. A construção civil é o setor que mais cresce, em razão da fase de obras dos empreendimentos em Suape, ultrapassando a casa dos 20%.

Os municípios do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, que recebem os impactos diretos do “fenômeno Suape”, também assistem a uma franca expansão de suas economias. No Cabo, a receita mais que dobrou desde que os grandes empreendimentos começaram a chegar, a partir de 2005. Entre aquele ano e 2010, o dinheiro em caixa saltou de R$ 157,7 milhões para R$ 347,8 milhões.

Cidade-sede da maioria das novas indústrias estruturadoras localizadas em Suape, Ipojuca é destaque nacional nas listas de municípios que lideram geração de empregos, desembolsos de financiamentos bancários e volume de investimentos privados. O superintendente regional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em Pernambuco, Paulo Guimarães, lembra que Ipojuca ficou em segundo lugar no País na liberação de financiamentos em 2009, atrás apenas de São Paulo. “É verdade que naquele ano foram liberados R$ 9 bilhões para a refinaria, mas em 2010 o município continuou apresentando uma boa colocação, ficando em 7º lugar no País”, acrescenta.

Ipojuca figura, ainda, como a nova fronteira do emprego. O Ministério do Trabalho e Emprego aponta para a criação de 16.413 vagas formais em 2010. Só em dezembro do ano passado foram 1.376 postos, colocando o município em terceiro lugar no ranking nacional.

“Nos últimos 8 anos, Ipojuca tem percebido esse crescimento econômico com muita força. Nosso povo só sabia o que era a economia do açúcar. Apesar de o Porto de Suape ter se instalado aqui há três décadas, a participação de ipojucanos trabalhando nas indústrias era muito pequena. Hoje isso mudou, porque existe um acordo entre as empresas, o governo do Estado e a prefeitura para contratar pessoas da região. Apesar disso, ainda ficamos com os menores salários”, lamenta o prefeito Pedro Serafim.

O gestor afirma que, apesar de a receita ter engordado, as demandas sociais cresceram com muita rapidez e alerta para a necessidade de as empresas oferecerem contrapartidas sociais. “A Petrobras está investindo R$ 30 milhões em projetos numa parceria conosco, mas a conta acaba ficando pela receita, porque a empresa tem com um grande pacote de benefícios fiscais e exige uma infraestrutura gigante para atender a seus trabalhadores”, observa.

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