De olho no potencial de Suape

08/08/2011

ENTREVISTAS

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Christopher Del Corso, que foi cônsul dos Estados Unidos no Recife por quase três anos, retornou na quinta-feira passada ao seu país, onde assumirá o posto de professor do Instituto de Diplomacia dos EUA. Durante o período em que liderou o consulado do Recife, passou a torcer pelo Santa Cruz, marcou presença em vários programas sociais e duplicou a quantidade de funcionários que emitem os vistos. Amo o Brasil, disse ao fazer um balanço da sua gestão na última quarta-feira.

Jornal do Commercio  Quais foram as principais iniciativas do senhor nestes quase três anos à frente do Consulado dos Estados Unidos no Recife ?

Christopher Del Corso Tem várias ações importantes, mas a primeira que quero destacar é com relação aos vistos. Em setembro de 2008, quando cheguei eram emitidos 250 vistos por dia. Agora, são 550 diariamente. Na época, o setor (que cuida dos vistos) tinha cinco funcionários trabalhando, sendo três americanos. Hoje, são 10 funcionários neste setor, incluindo seis americanos. Mais que dobramos o número de atendimentos para os brasileiros que querem viajar para os Estados Unidos. São mais de 90 mil entrevistas realizadas por ano.

JC Quais as principais iniciativas que foram tomadas para agilizar o setor de vistos ?

Christopher Desde 2008, foram realizados alguns mutirões com o consulado, e algumas vezes, chegamos a trabalhar aos sábados. Com a economia aquecida do Brasil, mais pessoas querem viajar. Em abril do ano passado, os vistos dos Estados Unidos passaram a ter uma validade de 10 anos e acreditamos que isso ajuda muito a aumentar o tráfego de turistas. A expectativa é que 1 milhão de brasileiros viajem este ano para a América. Mas, veja bem, são 2 milhões de brasileiros que vão viajar para a Europa. Quando cheguei aqui, 90% dos pedidos de vistos eram aprovados. Agora, são 95%, porque as pessoas têm mais condições de viajar. Fizemos várias mudanças para atender melhor. Agora, as pessoas ficam, em média, menos de duas horas no consulado. E a nossa intenção é melhorar esse atendimento, porque é mais fácil entender uma pessoa, quando você já morou ou conheceu o país de onde ela vem. E queremos dar essa oportunidade para muitas pessoas…

JC Outra prioridade da sua gestão foi o setor comercial. Por que ?

Christopher  Tentamos mostrar o potencial do Brasil e do Nordeste em termos de oportunidade para as empresas, especialmente o que está ocorrendo na área de Suape e os futuros negócios que podem se desenvolver… O crescimento que está ocorrendo aqui é fantástico. Junto com isso, desenvolvemos programas nas áreas sociais, incluindo programas em educação, saúde. Várias delas em parceria com empresas americanas como a Walmart, a Kraft (Foods), a Coca-Cola. Sempre estivemos lá para apoiar e chamar a atenção para a mídia. Ainda nessa área, temos o programa USAIDs (da Agência de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos) que está sendo realizado há seis anos e no qual foram investidos US$ 8,5 milhões desde 2003. Essa iniciativa beneficiou crianças dos Estados de Pernambuco, Sergipe, Ceará, Rio de Janeiro e Bahia. E também apoiamos iniciativas de empresas brasileiras, como o Grupo João Santos, a Chesf, o Grupo JCPM, que todo mundo sabe que é um referência nessa área. São bons exemplos e queremos aprender com esses programas (das empresas) porque todo mundo tem dificuldades,mas essas parcerias ajudam as pessoas…

JC  Na semana passada, a discussão sobre o aumento do limite da dívida dos Estados Unidos esteve nos principais jornais do mundo já que a economia americana é o motor da economia mundial. Como o Sr. está vendo isso ?

Christopher – Os Estados Unidos vão continuar sendo o motor da economia do mundo e é um dos pilares do sistema financeiro. É um fato político, uma discussão entre o Congresso e a Casa Branca, que tentam encontrar uma maneira para melhorar a economia da América. É uma questão complexa. Não sou expert para dar uma opinião bem informada sobre esse assunto. Sei que foi formada uma comitiva de 12 pessoas – incluindo três republicanos e três democratas –, que vai apresentar uma proposta final do orçamento dos Estados Unidos em novembro.

JC Quais são as áreas que o Sr. considera mais promissoras para o desenvolvimento de novos negócios e parcerias com as empresas americanas e as do Nordeste do Brasil ?

Christopher Em primeiro lugar, petróleo, gás e petroquímica. Depois, as empresas voltadas para energias renováveis, como a eólica, solar, que são tecnologias que estão mais avançadas e com o preço competitivo. O intercâmbio de tecnologia também é importante. E, por último, a vitivinicultura. Não sabíamos que o Brasil tinha uma região, como o Vale do São Francisco, que tem duas safras de uvas por ano. O nosso objetivo é fazer mais intercâmbios, que tragam benefícios para os dois povos.

JC O Sr. afirmou que o governo dos Estados Unidos vai apoiar o Brasil na Copa do Mundo de 2014. Como será esse apoio ?

Christopher A colaboração para a Copa será um apoio na área de segurança pública. Estamos trabalhando com o governo federal neste sentido. Os dois governos vão celebrar um acordo estabelecendo o que cada um vai fazer. Não posso falar muito sobre isso…

JC Mas dentro do que o Sr. pode falar o que será feito ?

Christopher Vamos fazer um centro de segurança que vai acompanhar o que está ocorrendo nas cidades onde será realizada a Copa. Temos várias experiências de grandes eventos, e além da tecnologia, vamos trocar experiências. Também será feito uma parceria com a secretaria estadual de educação, que já existe, mas será intensificada. É um programa em que alguns professores americanos dão uma atualização para professores de inglês da rede de ensino do Estado. Atualmente, são três professores no Brasil e um em Pernambuco, que atua só no Recife. A ideia é que, em 2012, venham mais cinco professores para Pernambuco, que vão atuar em todo o Estado para dar aulas para os professores de língua inglesa, melhorando o ensino do idioma. Essa é uma iniciativa que tem a ver com a economia e também com a Copa do Mundo.

JC Para o senhor, quais são as impressões que ficam do Brasil ?

Christopher O Brasil não é só Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. É um país enorme. Tem vários futuros dentro da economia do Brasil e uma das regiões mais importantes é o Nordeste. As empresas não podem ignorar o crescimento que está ocorrendo aqui. Amo o Brasil. Nós temos coisas semelhantes, somos países formados por imigrantes, nos quais houve uma mistura de cultura, contribuindo para a formação de ambas as nações. O Brasil pensa no futuro, como os americanos, em avançar e crescer. Me sinto mais confortável aqui no Brasil do que em outros países.

Jornal do Commercio

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