Aço pede maior proteção

Produto nacional, mais caro, cede lugar ao de origem estrangeira, que cresceu 175%

O aumento das importações de produtos siderúrgicos acendeu a luz amarela entre os fabricantes brasileiros de aço. Diante da avalanche de chapas e laminados que passaram a entrar nos portos do país nos últimos meses, as empresas do setor decidiram por uma forte mobilização pelo aumento da taxação, de 12% para 14%, contra os produtos dos concorrentes mundiais.

O cenário desenhado pelos empresários nacionais mostra que os desembarques hoje no país são duas vezes maiores que o volume registrado em 2009. Assustada, a indústria brasileira aderiu à nova onda protecionista.

“Tem que ficar muito claro que importações e exportações são variáveis normais de mercado, mas o que tem preocupado o setor é que as importações começam a ter respaldo de artificialismos que provocam distorções de mercado”, afirmou ontem o presidente do Instituo Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Alves.

Segundo ele, o setor siderúrgico brasileiro deve apresentar novos pedidos de proteção contra o volume significativo de aço importado que tem chegado ao país desde o início do ano.

“As diferenças são tão grandes que acho que, a exemplo do que o mundo está fazendo, novos processos serão abertos sim, com certeza”, disse.

Em agosto, a Usiminas pediu ao governo brasileiro abertura de processo antidumping contra aço importado na forma de chapas grossas, comumente usadas pela indústria naval.

Recentemente, a CSN iniciou a preparação de uma ação para conter importações de vários tipos de aços. O presidente do IABr citou como motivos para as distorções a valorização do real contra o dólar, os subsídios estatais chineses, o excedente de capacidade produtiva mundial (de 600 milhões de toneladas de aço) e a guerra fiscal no país.

“No caso mais específico do Brasil, além disso há os chamados incentivos regionais que determinados estados têm adotado”, destacou. (Diário de Pernambuco)

Prepare-se para trabalhar em Suape

Só três grandes investimentos –a refinaria, o estaleiro e a PetroquímicaSuape –devem gerar 19 mil postos de trabalho até o final do próximo ano

Adriana Guarda

Principal polo de atração de investimentos de Pernambuco, o Complexo de Suape representa também o sonho do emprego para muitos trabalhadores. Até o próximo ano, só os grandes projetos como a Refinaria Abreu e Lima, a PetroquímicaSuape e o Estaleiro Atlântico Sul vão abrir cerca de 19 mil postos de trabalho. A maior parte das vagas é para atuar nas obras de construção e montagem dos empreendimentos, mas também é possível prestar concurso público (no caso das empresas estatais) e concorrer a um posto quando as indústrias entrarem em funcionamento. A grande demanda por mão de obra aumenta as chances de contratação, mas também exige a aposta em qualificação profissional.

A gerente geral da Agência do Trabalho em Pernambuco, Angela Mochel, calcula que Suape já responde por 10% do total de profissionais encaminhadas pela entidade às empresas contratantes no Estado. Para atender a esse crescimento da procura, desde 2008 a Agência criou uma equipe especializada para a região. “A primeira orientação para o trabalhador que quer atuar em Suape é saber o que ele quer fazer. Nas palestras que fazemos para os jovens, muitos acham que vão atuar na área administrativa e tecnológica quando, por enquanto, o grosso das vagas está na construção civil”, diz.

Angela alerta que é preciso conscientizar os jovens sobre a importância e dignidade de algumas profissões e reeducá-los para o mercado de trabalho. “A figura do carpinteiro, do montador e do pedreiro, por exemplo, ainda é vista por eles como um bico, que seus pais pegavam quando estavam sem emprego. Mas agora o cenário é outro. É possível conseguir emprego nessas categorias, as empresas estão buscando esses profissionais”, afirma. Ontem, o JC publicou uma matéria mostrando que o aquecimento na construção civil está acelerando o ritmo de contratações na área. Alguns profissionais, a exemplo do carpinteiro, estão escassos no mercado.

O presidente do sindicato da construção pesada (Sintepav), Aldo Amaral, destaca que o cenário de oferta menor do que a demanda também está elevando os salários. Na última negociação, a categoria conseguiu reajuste de 10%. “Um lixador, que tem o salário inicial de R$ 1,2 mil, consegue negociar um valor bem melhor em função da disputa pelos profissionais entre as empresas”, pontua.

“Outra boa notícia é que o mercado também está mais flexível com relação a idade. Recentemente, tive a satisfação de encaminhar para uma empresa um homem com mais de 50 anos”, comemora Angela Mochel. Ela reforça que já não é dificuldade recolocar no mercado pessoas a partir dos 40 anos, o que antes era uma limitação. Angela orienta os profissionais a fazerem seu cadastro na Agência do Trabalho e atualizá-lo sempre que mudar de endereço ou telefone para facilitar a localização.

Hoje, a Agência conta com 1,8 milhão de pessoas cadastradas. Para quem busca uma vaga em Suape, o mais adequado é procurar as unidades de Ipojuca, Escada e Cabo de Santo Agostinho, além da unidade central, na Boa Vista. A dica é levar RG, CPF e carteira de trabalho, além de um currículo atualizado. “Até junho de 2011, o Ministério do Trabalho deverá lançar um programa na web, que vai facilitar o cadastramento dos trabalhadores, que só vão precisar comparecer à Agência na hora de confirmar seus dados e ser encaminhado à empresa. Isso vai evitar filas e agilizar o atendimento”, acredita Angela.

OPORTUNIDADES

O maior número de vagas em Suape será ofertado pelas empreiteiras contratadas para fazer a construção e a montagem da Refinaria Abreu e Lima. Outra obra que vai demandar quase 700 profissionais, de imediato, até novembro deste ano é a PetroquímicaSuape (veja arte ao lado). A Odebrecht lidera os consórcios responsáveis pela construção e é responsável pelas contratações. Além dos grandes empreendimentos, várias indústrias e obras de infraestrutura estão se multiplicando em Suape. O caminho é acompanhar o mapeamento das oportunidades feito pela Agência do Trabalho e batalhar por um espaço nessa fase próspera da economia pernambucana.