Portos têm limites para navios grande

Logística: Hamburg Süd não consegue trazer para o Brasil seus maiores porta-contêineres

Os navios porta-contêineres que trafegam nas rotas marítimas entre o Brasil e o exterior estão cada vez maiores. Até o início da década de 2000 essas embarcações tinham capacidade para transportar 2,5 mil TEUs (contêiner equivalente a 20 pés). Depois, chegaram a 3,8 mil TEUs e atingiram 5,5 mil para dar um novo salto até 5,9 mil TEUs. No fim de 2010, a Hamburg Süd deve colocar em operação nas linhas que servem o Brasil o primeiro de uma série de navios de 7,1 mil TEUs. Para 2013-2014, já se pensa em embarcações de 9 mil TEUs, o que depende do crescimento dos mercados e da capacidade dos portos brasileiros de receber barcos desse porte.

Embarcações maiores permitem aumentar a produtividade, uma vez que os terminais de contêineres podem operar de forma mais eficiente ao colocar mais guindastes para trabalhar ao mesmo tempo em um mesmo navio. No Brasil essa é uma realidade que segue uma tendência mundial. Nas linhas Leste-Oeste, entre China-Europa e Estados Unidos, há navios de contêineres que navegam com capacidade para transportar entre 12 mil e 15 mil TEUs. Mas no mercado brasileiro existem problemas nos portos que limitam os ganhos de escala representados pelo crescimento acelerado dos navios de contêineres.

“Estamos revivendo uma situação de congestionamento nos portos”, diz Julian Thomas, diretor-superintendente da Hamburg Süd e da Aliança Navegação e Logística. A Hamburg Süd, empresa alemã controlada pelo grupo Oetker, é uma das grandes empresas internacionais de navegação e opera nos chamados tráfegos Norte-Sul, os quais ligam a América do Sul aos Estados Unidos, Europa e Ásia. A controlada Aliança atua na cabotagem, na costa do Brasil e do Mercosul.

Em 2001, a Hamburg Süd colocou navios de 3,8 mil TEUs para operar no Brasil fazendo o serviço entre as costas Leste da América do Sul e da América do Norte.

Anos depois a empresa entrou no mercado com navios de 5,5 mil TEUs sem guindastes de bordo e com desenho especial para trabalhar com as limitações de calado dos portos brasileiros. “Éramos praticamente os únicos com esses navios. Hoje os concorrentes também utilizam embarcações desse porte”, diz Thomas. A empresa pretende trazer até o fim do ano o primeiro de uma série de dez navios com capacidade nominal de 7,1 mil TEUs, os maiores navios da frota da companhia.

altO problema, na visão de Thomas, é que ainda não é possível ter uma operação satisfatória nos portos brasileiros de maneira a que os navios façam os itinerários de forma planejada. E isso ocorre por dificuldades relacionadas à falta de infraestrutura adequada em alguns portos, diz Thomas. “Estamos com a capacidade de estocagem nos portos esgotada e sofremos atrasos crônicos em alguns locais, como Paranaguá (PR).” E acrescenta: “Temos problemas em Santos de capacidade de estocagem, o que impacta a produtividade.” O crescimento dos volumes de importação este ano explica parte do problema citado por Thomas (ver reportagem ao lado).

Segundo o executivo, o congestionamento nos portos também se relaciona com o mau tempo no inverno. Mas na Europa, compara, os portos operam sob más condições climáticas na maior parte do ano. E mesmo assim há portos na Holanda, Bélgica, França e Alemanha que são referência de mercado. No Brasil, o porto fecha por questões de clima, mas como em alguns casos a produtividade dos terminais não é boa, a fila de navios leva tempo para ser desfeita. O resultado é que os navios têm de ficar mais tempo no porto para fazer a movimentação. A espera tem impactos nos navios seguintes e esse processo leva até ao cancelamentos de escalas para manter os itinerários.

Thomas reconhece que a expansão feita pela Santos Brasil, principal terminal de contêineres do país, em Santos, foi importante, mas não é suficiente. Diz que o grupo Libra, também em Santos, faz um trabalho “fantástico” com a infraestrutura que tem, mas não é o ideal. A solução para o problema, segundo ele, passa por mais investimentos nos portos e nas vias de acesso.

“Se perdeu muito tempo discutindo o marco regulatório [dos portos], quando o foco devia ter sido como fazer investimentos para atender a fase de crescimento que viria depois da crise. A crise era um bom momento para investir, mas não foi aproveitada adequadamente”, afirma. A Aliança Navegação e Logística, controlada pela Hamburg Süd, é acionista do Tecon Santa Catarina, um terminal de contêineres privativo que deve ficar pronto no fim do ano e que tem como outro acionista a Portinvest Participações, sociedade do grupo Battistella e da Logística Brasil – fundo de investimento gerido pela BRZ Investimentos.

Situado em Itapoá (SC), o terminal vai passar a ser um porto concentrador de cargas para a Hamburg Süd e Aliança na região Sul do país, mas Thomas diz que a ideia é que o terminal também atenda outros armadores. Por ser um terminal privativo, mas que vai movimentar carga para terceiros, o Tecon Santa Catarina é um dos projetos cuja operação é questionada do ponto de vista regulatório pelos terminais privatizados na década de 90, que operam como privativos de uso público.

“Entendo, mas não aceito a posição desses terminais porque restringir investimentos, com o custo que isso gera, não é bom para o Brasil”, diz Thomas. Segundo ele, com o tempo ficará insustentável o argumento de que há capacidade suficiente nos portos para atender a demanda. “E isso talvez leve a uma solução entre todos os agentes do setor”, prevê.

Movimento de contêiner volta a subir

19.10.09_movimentaçãoITJ_fs.jpgO volume de importação de mercadorias em contêineres deve superar este ano, no mercado brasileiro, os níveis de 2008, projeta Julian Thomas, diretor-superintendente da Hamburg Süd e da Aliança Navegação e Logística. Dados da empresa mostram que o país importou, em 2008, 1,68 milhão de TEUs (contêiner equivalente a 20 pés), acima dos 1,34 milhão de TEUs de 2009, quando o mercado ainda se ressentia dos efeitos da crise global. Na exportação, foram movimentados 1,92 milhão de TEUs pelo mercado brasileiro em 2009, quase 9% abaixo dos 2,1 milhões do ano anterior.

Thomas disse que no primeiro trimestre do ano o mercado quase atingiu os níveis do mesmo período de 2008. “Faltou pouco.” Ele diz que a exportação também está crescendo, mas sobre a base de 2009, mais baixa. “A economia brasileira cresce tão forte que a indústria está no limite de produção e, nesse cenário, é mais favorável vender no mercado interno do que exportar com um real forte”, diz.

No pós-crise, o esforço se concentra, segundo ele, em recuperar volumes de carga e preços dos fretes marítimos. Os fretes já subiram entre US$ 300 e US$ 500 por contêiner este ano e no segundo semestre terão de subir novamente, em valores semelhantes, para recuperar a perda do ano passado, diz Thomas.

Em 2009, a crise provocou a parada de cerca de 11% da frota mundial de navios porta-contêineres (cerca de 500 embarcações), que voltaram a operar puxadas pelo crescimento do tráfego entre China-Europa e Estados Unidos, diz o executivo. Em 2009, o faturamento mundial da Hamburg Süd ficou em € 3,2 bilhões, 28% abaixo se comparado aos € 4,4 bilhões de 2008.

Segundo Thomas, a importação é mais onerosa em termos de infraestrutura do que a exportação. Isso porque o tempo médio que um contêiner fica no porto é de oito dias, o que exige espaço para armazenagem pelo terminal. O contêiner da importação termina concorrendo por espaço no porto com a carga da exportação e da cabotagem. (FG). (Netmarinha)

Sucessão em negócio de família é difícil tarefa

Saber inovar, com respeito ao passado, é princípio para gerenciar

Passar a empresa de pai para filho parece uma tarefa fácil, mas muitas vezes se torna uma dor de cabeça. Segundo especialistas, não existe uma receita de sucesso para esta transferência de cargos. Um dos segredos pode estar no acompanhamento do negócio. De acordo com o diretor superintendente do Magazine Luiza, Marcelo Silva, a sucessão ainda é um grande problema. “Tudo da empresa é centrado no fundador. Quando uma outra pessoa assume vem uma nova pressão, novos hábitos. É um erro entender que a nova gestão vai mudar tudo. Assim, os sucessores precisam respeitar o passado e inovar”, ressaltou Silva durante o Seminário de Empresas Familiares da Câmara Americana de Comércio (Amcham).

Conforme o superintendente, os pilares da sucessão estão baseados no começo, crescimento, expansão, evolução e gestão profissional. “Não existe receita pronta, até porque as empresas são todas diferentes. Tem que preparar o sucessor e o sucedido e ainda respeitar as peculiaridades de cada negócio”, afirmou. Para evitar problemas e acompanhar de perto o processo de sucessão, o empresário Leucio Marques optou por passar aos 54 anos a presidência da Movimento Moda Praia para a filha. “Eu tenho duas filhas talentosas e minha esposa é sócia da empresa. Em um único negócio, nós não conseguiríamos colocar todos. Assim, eu passei a presidência para uma das minhas filhas e abri uma empresa do ramo imobiliário”, contou.

Edivaldo Santos, presidente do grupo Arco Íris

Marques afirma que, desta forma, consegue acompanhar de perto o processo sucessório e, ainda, toca um novo comércio. “Hoje consigo perceber melhor os passos que estamos dando e o processo de crescimento”, destacou. Atualmente, a Movimento Moda Praia possui 12 lojas no Estado e emprega 110 funcionários. No Brasil, a empresa possui 140 pontos de vendas em lojas multimarcas e exporta para sete países.

Nos supermercados Arco-Íris, o processo de sucessão é acompanhado de perto pelos familiares. “Estamos na segunda geração da empresa. Como somos sete irmãos, contratamos um escritório de advocacia e fechamos vários acordos sucessórios. Vamos trabalhar para que os nossos filhos estudem, se formem, tenham experiências fora da empresa, mas também conheçam o nosso trabalho. Muitos dos meus sobrinhos, por exemplo, possuem empresas”, disse o presidente do grupo, Edivaldo Santos. Segundo ele, a gestão deve estar atenta às mudanças de mercado. “É fundamental estimular e valorizar a participação na tomada de decisões. Estimulamos a especialização dos sócios/diretores assim como dos gestores”, enfatizou. Hoje, o supermercado Arco-Íris conta com 16 lojas e um atacarejo e emprega mais de 1,5 mil colaboradores. (Folha de PE)

Moldando o desenvolvimento

Ser soldador em Pernambuco pode ser sinônimo de garantia de emprego, salário atraente e chance de crescimento real na carreira

Thayse Boldrini // Especial para o Diario

Trabalho duro, pesado, minucioso e que exige muita concentração. Mas por trás disso tudo vem uma boa recompensa. Os soldadores que um dia foram vistos com olhos enviesados da sociedade, entre óculos protetores, avental, capacetes e faíscas começam a se tornar exemplo de sucesso para muitos jovens que buscam uma formação mas não querem encarar um graduação para entrar no mercado de trabalho. Ainda mais em Pernambuco, que vive um momento bem favorável para esta profissão, com uma remuneração nada ruim.

Jamile Tenório ingressou na área aos 18 anos e hoje, aos 23, busca mais capacitação para superar os R$ 2 mil/mês Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press

Na verdade, é um retorno da categoria em grande estilo. Isso porque na década de 1980 eles foram bastante requisitados pelo mercado de trabalho, mas acabaram sendo esquecidos posteriormente. O tempo passou e esse cenário se modificou, principalmente com a reinstalação do setor naval no estado. Agora não se fala mais em outra coisa, a não ser o investimento em cursos técnicos na área. Tanto o setor de obras, naval, civil ou de montagem de autopeças representa algumas das fontes de segurança para se obter estabilidade profissional no ramo. “O curso técnico para soldadores está bem disputado no mercado, já existem cerca de 1.800 alunos interessados. O que antigamente não era muito benquista, a solda já representa um dos setores que oferecem boa estabilidade financeira, afinal, eles ganham um dos melhores salários pagos atualmente em categorias técnicas”, explica o coordenador do curso técnico de soldagem do Senai Cabo, Jeová Inocêncio.

Sabendo das boas oportunidades que lhe esperam, ou melhor, das remunerações salariais que variam de R$ 800 a R$ 8 mil, Ivo Cavalcanti trocou a faculdade de jornalismo, posteriormente a graduação de administração de empresas para dar uma guinada na vida e se transformar em um bom soldador. “Percebi o quão importante a profissão vem se tranformando. E como desejo ter um bom salário quero me especializar cada vez mais. Já fiz um curso de solda do tipo Mig Mag no Senai do Cabo e tive um bom aproveitamento. O próximo passo é entrar no mercado de trabalho”, conta o estudante que já está passando por uma série de seleções para iniciar a carreira, mas diz que já almeja uma função: a de inspetor de soldagem.

Função que Jamile Tenório, 23 anos, exerce numa empresa do ramo de construção civil. Ela descobriu a profissão ainda cedo, aos 18 anos, enquanto se preparava para escolher o que iria seguir na vida. Uma das primeiras saídas que encontrou foi um curso técnico e não hesitou à vaga oferecida pelo Senai. “Eu não queria trabalhar diretamente na atividade de soldagem, preferia uma área da profissão que fosse mais ligada à parte técnica, mas descobri que através do curso poderia me especializar nisso”, revela. Disciplinas como inspeção de solda, controle de qualidade e custos na soldagem foram primordiais para que Jamile ingressasse de imediato na MCM Construções e Montagens e se tornasse uma inspetora de solda. “O meu trabalho se resume a preparar todos os equipamentos e acompanhar o desempenho da execução de testes com os demais soldadores, para que, de acordo com a aprovação, eles sejam encaminhados para as obras. Ainda não sou totalmente qualificada, por isso que meu salário se resume a R$ 2 mil, mas assim que eu obtiver uma boa especialização, a remuneração só tende a aumentar”, revela a soldadora bastante satisfeita.

Três caminhos a seguir

Para quem deseja investir na carreira, o Senai Cabo disponibiliza três caminhos. Os cursos de aperfeiçoamento, de qualificação ou de soldagem oferecem aos interessados boas maneiras de se destacar nesse mercado promissor. “Nós focamos na tecnologia específica, então tanto aperfeiçoamos aqueles que são mais experientes como formamos um soldador qualificado ou um técnico de soldagem. Primeiramente, eles cursam uma iniciação profissional com um módulo introdutório (QSMS – Sistemas de qualidade, saúde, meio ambiente e segurança) e depois partem para os módulos de prática”, explica Eduardo Veiga, diretor do Senai Cabo.

Determinação e poder de concentração aliados à segurança no trabalho são fatores que influenciam diretamente quem deseja seguir a carreira, afinal, a profissão exige o máximo de cuidado durante a prática de soldagem, pois a claridade do ponto de solda e a fumaça podem afetar tanto a vista quanto os pulmões do profissional. “Nas aulas práticas nós costumamos exigir o máximo de cuidado dos alunos, para que eles possam se familiarizar desde o início. Para isso, dispomos de 12 cabines, cada uma com um aluno e um instrutor que possa orientá-lo. E, claro, é imprescindível que eles estejam devidamente protegidos, com máscara, óculos de proteção, luvas, sapatos apropriados e avental que cobre o corpo inteiro”, orienta o técnico de educação do Centro de Tecnologia de Solda do Rio de Janeiro, Rafael Guimarães.

Soldagem TIG

Profissão em alta e reconhecimento engatinhando. Só resta saber qual o melhor perfil que se encaixa na formação de um bom soldador, afinal, aquele trabalho braçal, exaustivo e cansativo pode resultar em boas oportunidades, tanto para os homens, quanto para as mulheres. “Treinar bastante e levar em consideração as demais questões de segurança. O importante é investir em mais qualificação para se atingir patamares superiores. E gostar do que faz, pois a profissão exige demais do estado físico da pessoa”, conclui Rafael Guimarães, técnico de educação do Centro de Tecnologia de Solda do Rio de Janeiro.

“Não se prenda aos cursos daqui”

Sóstenes e Edileuza atuam na indústria naval e citam a formação Foto: Cecilia de Sa Pereira/DP/D.A Press

“Mestre das faíscas”. É assim que Antônio Alves de Melo, 57 anos, se define após 25 anos atuando como soldador. A paixão pela arte da soldagem surgiu desde adolescente, e após conhecer o mundo da solda ele não queria mais outra coisa, a não ser se especializar e seguir carreira no ramo.

Tudo começou desde cedo, mais precisamente no ano de 1974, quando decidiu ingressar num curso de solda que o Senai de Areias oferecia na época. “Desde o módulo da teoria eu vi que era aquilo mesmo que iria investir”. A arte de juntar duas peças para garantir a união eficiente através da solda virou um dos principais mandamentos da rotina de Antônio. “Fiz a primeira qualificação, continuei me aperfeiçoando e ingressei logo no mercado de trabalho. Passei quatro anos na empresa Noraço, trabalhando como soldador, depois parti para a indústria Piratininga, na qual passei mais nove anos na mesma profissão. Voltei para a Noraço e passei mais algum tempo até me afastar do cargo. Não me arrependo, nem tenho vergonha de assumir a minhaprofissão. Sou soldador com o maior orgulho”, conta Antônio.

Soldador completa costura longitudinal em tubo de aço de carbono

Ele já passou por diversos setores da solda, não parou de investir nas suas especializações e mais, não hesitou em aprender os diversos processos que a solda exige. Hoje, atua como diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco com a finalidade de lutar ainda mais pelo reconhecimento da profissão. “Os cursos do Senai me ajudaram bastante, mas é bom procurar novos horizontes, não se prender apenas aos cursos daqui”, aconselha o profissional, que hoje ocupa o patamar de soldador 6G (o máximo da categoria).

Mestres da arte com faíscas

O Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco é um dos órgãos que lutam bravamente pelo reconhecimento da profissão dos mestres da arte com faíscas. Para isso, o presidente Alberto Alves, eletricista de profissão, decidiu encarar o mandato de quatro anos para investir nos bons frutos dos soldadores. “A profissão de soldador oferece um campo vasto de oportunidades, desde o setor naval, recentemente acordado no estado, até a prestação de serviços para grandes empresas como a Petrobras”, explica o presidente. Diante deste novo mercado recém-apresentado para os soldadores, ele questiona e esclarece algumas questões importantes para os iniciantes no ramo. Veja a seguir:

Mascara de Celeron com visor articulado

Qual deve ser o perfil de quem deseja ingressar na carreira?Pessoas com o segundo grau completo e o mais importante, gosto pelo o que se faz. Para trabalhar nessa área é preciso ter muita concentração e ser muito detalhista, duas exigências primordiais. Enquanto no passado a profissão se restringia ao sexo masculino, as mulheres já estão garantindo um lugar certo.

E como se encontra o atual mercado de trabalho?

Essa profissão teve um crescimento significativo em Pernambuco, principalmente no setor de bens de capital, naval e autopeças, e depois até mesmo com a própria metalúrgica. As refinarias representam outro setor bastante forte para o mercado e os jovens já estão com os olhos bem abertos para as demais oportunidades.Qual a remuneração inicial?Varia demais. Desde o setor ao ambiente de trabalho. Um soldador pode ganhar de R$ 800 a R$ 8 mil. Tudo vai depender da qualificação de cada profissional.

O que o senhor diria àqueles que se interessam pela profissão?Que é um ramo bastante promissor eque só tende a crescer. Quanto mais você investe, mais chances de colocação no mercado de trabalho terá. Apesar de ser produtiva, tem um certo grau de dificuldade que engloba vários fatores, como desenvoltura, concentração, experiência e força de vontade.

soldador

Soldador: Muitas vagas, inúmeras exigências

Os empreendimentos instalados e a serem instalados no estado de Pernambuco, principalmente no Complexo de Suape, indicam que haverá um forte crescimento na demanda por profissionais de solda, afinal, há poucos soldadores com o nível de qualificação técnica exigido pelo mercado na região, o que indica uma ótima oportunidade para aqueles que desejarem ingressar na área. “Há um contingente que está sendo capacitado. Mas esse é um processo de médio prazo, tendo em vista que são necessários em torno de cinco anos para se formar um profissional com bom nível de qualificação”, explica o diretor administrativo e de recursos humanos do Estaleiro Atlântico Sul, Gerson Beluci.estaleiro

Para montar o quadro de 3.400 funcionários e construir o navio João Cândido o Estaleiro Atlântico Sul teve que instalar um centro de treinamento para formar e capacitar soldadores em Suape. Um deles é Fóstenes Bezerra. “Eu nunca imaginei que realizaria o sonho de soldar um grande navio em Pernambuco, e essa chance surgiu. Eu não fazia ideia de como era a solda em si e nem como se realizava a atividade. Hoje, a solda é a minha vida. Trabalho soldando a parte de cima do navio dia a dia e é como se isso fosse uma escultura”, comenta o soldador que trabalha há dois anos no Estaleiro e acredita que uma carreira promissora lhe aguarda.”Há uma grande procura por profissionais de solda nos diversos níveis de qualificação e experiência. A maioria das vagas de nossa área industrial é para soldadores e montadores”, revela Gerson.

Para a indústria naval, o soldador é de grande importância, afinal, a construção de um navio ou de uma plataforma necessita de mão de obra intensiva, principalmente dos soldadores. Edileuza do Nascimento, 22 anos, acredita nessa importância. “Foi o meu primeiro emprego e tenho a maior satisfação de exercer ele. Apesar de ser uma profissão com mais colegas de trabalho homens, costumo dizer que o principal desafio é tentar melhorar a cada dia e mostrar a qualidade no meu trabalho, pois a solda é um trabalho bem minucioso e que requer bastante atenção”, conta ela, que iniciou a carreira com apenas 18 anos.

“Soldador naval é diferente do soldador de uma montadora de automóveis. No Estaleiro Atlântico Sul um soldador pode ter uma sólida carreira, iniciando como soldador 1 e podendo chegar a cargos de liderança. Assim como em outras profissões, qualidade do trabalho, disciplina, continuidade na capacitação e habilidade para liderança são requisitos fundamentais para o crescimento”, finaliza o diretor administrativo e de recursos do Estaleiro Atlântico Sul, Gerson Beluci. (Diário de Pernambuco)