Empresa de carga chega ao Recife

ROCHELLI DANTAS

Companhia aérea fará rota para São Paulo a partir do dia 22

O transporte de cargas nordestino será facilitado a partir do próximo dia 22. Na data, a ABSA Cargo Airline, empresa de carga aérea de bandeira brasileira, começa a operar voos para o Recife e Fortaleza. Serão cinco voos semanais, de terça-feira a sábado. A operação será realizada em um Boeing 767-300F, com capacidade para transportar até 57 toneladas de carga. A companhia espera movimentar aproximadamente 6,5 mil toneladas na nova rota até o final do ano.

Os voos sairão do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, às 4h30, com chegada prevista no Recife às 7h25. Em seguida, às 9h35, a aeronave seguirá para a capital cearense, retornando para São Paulo às 23h. “A capacidade do avião será dividida entre o Recife e Fortaleza. Nossa previsão é de que, diariamente, sejam transportadas 30 toneladas para o Recife e 25 toneladas para Fortaleza”, detalhou o gerente de Vendas da ABSA Cargo Airline, Alexandre Silva. A expectativa é de que a empresa alcance 35% de participação neste mercado até 2011. Para o início da operação, a expectativa é de que 25 postos de trabalho sejam gerados.

De acordo com o gerente, a nova rota ampliará a capacidade de exportação de produtos do Nordeste brasileiro com boa aceitação no exterior. “Como a Região é atendida principalmente por aviões de pequeno porte, muitas empresas que possuem produtos que poderiam ganhar o mercado internacional acabam limitando seus negócios por causa das restrições impostas para o transporte de carga nestas aeronaves”, pontuou.

Segundo Silva, entre os itens que devem ser trazidos para o Recife dos mercados do Sul e Sudeste do País estão peças para recomposição de veículos, produtos farmacêuticos e eletrônicos. Saindo da capital pernambucana devem estar as frutas e pescados. “O que propomos é uma capacidade cargueira para este mercado. É uma oportunidade que o Nordeste terá para exportação”, disse. Com relação ao valor cobrado pelo transporte, o gerente explica que a tarifa varia de acordo com o tamanho, peso e tipo do produto transportado. (FOLHA DE PE)

Pernambuco pode ter outro estaleiro

Estaleiro Mauá, RJ

Pernambuco perdeu um estaleiro e pode ganhar outro. Tudo indica que a STX Europe, que planejava se instalar em Suape, foi desqualificada da licitação da Petrobras para contratação de 28 sondas de perfuração. Mas o mesmo grupo coreano, que se associou à PJMR no projeto do Promar Ceará, pode vir para Pernambuco caso os investidores optem por essa nova localização. Já está decidido que o Promar não vai mais se instalar no Ceará por falta de uma área adequada. Vários estados, de Norte a Sul do país, estão sendo estudados.

A decisão sobre a não instalação do Promar no Ceará foi tomada na noite da última quinta-feira, após reunião realizada em Brasília. Estavam presentes o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra, o presidente da Transpetro Sérgio Machado e a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins. A PJMR já havia manifestado o interesse pela área do Titanzinho, mas a prefeita não arredou o pé e sustentou que esse “trambolho” não seria instalado na capital.

Estamos avaliando propostas de Norte a Sul e vamos tomar a decisão no tempo certo
Paulo Hadadd, sócio da PJMR

Ontem, por meio de nota, a Transpetro informou que “diante da inviabilidade de conseguir, no prazo devido, um terreno adequado no litoral cearense para este tipo de estaleiro e devida licença ambiental prévia, os investidores do estaleiro Promar Ceará já se comprometeram a apresentar localizações alternativas viáveis”. As opções deverão ser apresentadas até o dia 30 deste mês à Transpetro, “que decidirá sobre a viabilidade do novo projeto”.

O Promar venceu a licitação para construir oito navios gaseiros do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef). Procurado pela reportagem, o sócio da PJMR Paulo Haddad disse que há vários estados interessados em abrigar o equipamento. “Por enquanto não tem nada decidido. Estamos avaliando propostas de Norte a Sul do país e vamos tomar a decisão no tempo certo, talvez antes mesmo do dia 30”, declarou.

A PJMR é sócia do Estaleiro Atlântico Sul, já em operação em Suape. Perguntado se haveria interesse eminvestir num segundo estaleiro em Pernambuco, Haddad afirmou que não haveria nenhum impedimento para isso. Sinal de que, se houver articulação por parte do governo do estado, o Promar poderá ser instalado em Suape. A reportagem tentou repercutir o assunto com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, e com o vice-presidente de Suape, Sidnei Aires, mas eles estavam incomunicáveis em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente.

STX – Sócia da PJMR no Promar, a STX pode ter sido desqualificada da licitação das 28 sondas da Petrobras. A Petrobras informou, através de sua assessoria de imprensa, que não se manifestará sobre o processo até que a licitação seja concluída. Mas informações de bastidores indicam que a estatal confirmou a qualificação apenas do Eisa-Alagoas, Alusa-Galvão (que também pretende se instalar em Suape), Andrade Gutierrez, Keppel Fels, Jurong, Estaleiro Atlântico Sul e um consórcio formado pelas construtoras Odebrecht e OAS com a UTC. A licitação foi adiada pela quarta vez. A entrega das propostas, agora, está marcada para o próximo dia 27 de junho. Serão contratadas 28 sondas de perfuração (plataformas do tipo FPSO) para atuar no pré-sal, divididas em quatro lotes de sete embarcações. Cada vencedor poderá levar apenas um lote. (Diário de Pernambuco)

Exportações do Estado se recuperam

Vendas externas das empresas pernambucanas cresceram 53% este ano, até o mês passado. Indústria sucroalcooleira e M&G lideram lista

As empresas pernambucanas de metalmecânica e do setor petroquímico registraram uma recuperação expressiva até o mês passado, quando se compara aos resultados do mesmo período de 2009. Os dados da balança comercial de Pernambuco, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mostram um crescimento de 53% nas exportações estaduais. Além da força da tradicional indústria sucroalcooleira, se destacaram os expressivos crescimentos de empresas como a Moura, fabricante de baterias em Belo Jardim, a Lanxess, produtora de borracha no Cabo de Santo Agostinho, e a Alcoa, metalúrgica em Itapissuma. Essas companhias sofreram o impacto da crise, no ano passado, e até demitiram funcionários, na época.

O topo da lista de produtos exportados a partir de Pernambuco é dominado por dois itens, o açúcar bruto e o refinado. Combinados, eles tiveram um peso de 51% nas vendas do Estado no mercado internacional. O açúcar bruto subiu 172%, para US$ 161 milhões, e o refinado, 13%, para US$ 99 milhões.

Na terceira colocação vem o tereftalato de polietileno, que, apesar do nome complicado, é conhecido como resina PET e usado pela indústria têxtil e na fabricação das garrafas plásticas de refrigerante. O PET é produzido pela italiana Mossi & Ghisolfi (M&G), no Complexo Industrial Portuário de Suape, e sua exportação cresceu 45%, para US$ 51 milhões.

A M&G, sozinha, pesa 10,96% nas exportações do Estado. Mas, quando se observa apenas as companhias, não os setores, a italiana é líder disparada nas vendas internacionais a partir de Pernambuco. Quatro companhias de açúcar vêm na sequência, para logo em seguida aparecer a Lanxess, com uma alta de 230% – alta forte porque o ano passado foi ruim. A empresa bateu US$ 24 milhões.

Também em contraponto a um início de 2009 ruim, a Moura teve uma alta de 31%, para US$ 12 milhões. A Alcoa subiu 85%.

No total, Pernambuco já exportou este ano US$ 474 milhões.

IMPORTAÇÕES

Do outro lado da balança comercial, o das compras do exterior, o crescimento está em 75%. Novamente, a Mossi & Ghisolfi, devido ao gigantismo de seus números, entra para distorcer os resultados. Nas importações ela representa 18% do Estado, com um acumulado de US$ 200 milhões até maio. Ela é seguida pela Petrobras e pelo Estaleiro Atlântico Sul.

A M&G compra fora do Brasil, em outra empresa do grupo, localizada no México, o ácido tereftálico purificado (PTA), que serve como base para fabricar em Pernambuco a resina PET.

Na lista de importados, além de produtos petroquímicos e siderúrgicos, destaque para a compra de matéria-prima para as indústrias de alimentos e bebidas. O trigo subiu 13% e o malte, que entra na produção da cerveja, avançou 48%.

Exportar é preciso

As micros e pequenas empresas que querem inserir seus produtos no mercado externo já contam com serviços e algumas dicas para facilitar o processo  

Marina Falcão 

Para além das fronteiras nacionais, há inexplorados mercados consumidores aguardando oportunidades para negociar com quem fornece produtos de qualidade. E a exportação é o caminho até eles. Para as micro e pequenas empresas que querem se aventurar pela primeira vez no comércio internacional, existem três etapas básicas a serem cumpridas e que podem facilitar o processo: fazer um diagnóstico interno da empresa, encomendar uma pesquisa de mercado e, finalmente, contactar os potenciais compradores. 

“O meu produto é exportável?”, deve questionar o pequeno empresário. Há duas formas de obter a resposta. Uma delas está disponível no site http://www.internacionalizacaosebrae.com.br, onde é possível fazer um diagnóstico online gratuito sobre as condições do negócio. “Caso a avaliação indique que ainda há problemas de gestão a serem solucionados, o serviço aponta os melhores caminhos para se capacitar”, explica a gerente de internacionalização das micro e pequenas empresas do Sebrae de Pernambuco, Margarida Collier. 

Outro caminho é participar do Projeto de Extensão Industrial Exportadora (PEIEX), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex). O projeto é dedicado aos setores de plástico, confecção, gesso, metalmecânica e móveis. “Em no máximo seis meses o empresário tem um diagnóstico completo. A consultoria é gratuita”, explica Marcela Cardoso, representante da unidade da Apex no Recife. 

Pronta pra exportar

Quando estiver produtivamente capacitada para exportar, a empresa deve partir para o segundo passo. Isso significa localizar os potenciais mercados consumidores. Para tanto, é preciso fazer uma pesquisa de mercado. O próprio empresário pode realizá-la. O passo a passo está disponível no portal http://www.bibliotecasebrae.com.br. O termo chave a ser inserido no campo coleções digitais é “apoio às exportações”. Por este caminho, ficará a cargo do empresário tentar obter o contato dos compradores com a embaixada brasileira localizada nos países identificados como mercados potenciais. 

Sendo assim, a maneira mais segura certamente é encomendar a pesquisa a técnicos especializados. No Centro Internacional de Negócios da Fiepe, o estudo completo pode ser encomendado por R$ 700, valor que corresponde a apenas 10% do que é cobrado no mercado. “A pesquisa inclui até o contato dos compradores em outros países”, revela Marcela. 

O terceiro passo é participar de feiras e missões internacionais. “Nestes eventos o empresário é colocado frente a frente com compradores, estabelece contatos, observa a cultura local e entende as necessidades dos seus futuros consumidores”, explica a gerente de projeto da Fiepe, Patrícia Canuto. 

Participando do projeto Primeira Exportação – desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) –, o empresário elimina todas essas etapas. Ao se inscrever no programa – o que pode ser feito através do contato com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) –, a empresa ganha um consultor particular em exportação. “Trata-se de um estudante que recebe treinamento do programa. A empresa terá que remunerá-lo com um salário mínimo mensal pelo período de um ano”, explica a gerente de negócios internacionais da AD Diper, Ivone Malaquias. 

Uma boa oportunidade para ampliar conhecimentos no universo da exportação é participar do Encontro de Comércio Exterior (Encomex), que ocorrerá no Centro de Convenções de Pernambuco, nos dias 14 e 15 de julho. O evento é gratuito. A inscrição já pode ser feita no http://www.encomex.mdic.gov.br. 

Pernambucanos já conquistam mercados

Tecon SUAPE

 

A Brastex é a mais recente empresa pernambucana a entrar na pauta de exportações do Estado. No último dia 8, a empresa do município de Paulista – que confecciona panos e estopas de limpeza, coador de café e flanelas –, enviou seu primeiro contêiner para a Angola, na África. Na primeira remessa, foram 60.000 unidades de panos em vários tamanhos. O próximo envio ocorrerá em dois meses. 

O início das exportações da Brastex é fruto da Missão Empresarial Sul da África, do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior. Ela partiu para Angola, Moçambique e África do Sul em novembro do ano passado com 85 empresas brasileiras. “Identificamos um mercado consumidor muito grande em Angola, com interesse de grandes redes de supermercados pelos nossos produtos”, conta a gerente de comércio da Brastex, Bianca Linck. 

A Kacil, que produz equipamentos para laboratórios de análise em Casa Amarela, no Recife, já tem 10% do seu faturamento ligado às exportações para países como Peru, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia e República Dominicana. O fundador da empresa, Severino Camelo, começou no mercado internacional em 2003, após participar de feiras da área de saúde. 

De lá para cá, ele já vendeu até para o Sudão, vencendo fortes concorrentes como os chineses e os indianos. 

Já a Ortho Pauher, que fabrica produtos ortopédicos de gel desde 1995, em Afogados, começou a exportar em 2001 e já vende hoje para 44 países da América Latina, Europa, América do Norte, África e Oriente Médio. “Só não chegamos ainda na Oceania”, diz o analista de exportação da empresa Pedro Maia, contratado quando a empresa começou a se aventurar mundo afora. 

“A gente viu o mercado com poucas empresas de qualidade e ocupamos o espaço vazio. Hoje somos líderes do segmento de produtos ortopédicos de silicone na América Latina. Nosso desafio agora é entrar com mais força nos Estados Unidos, onde há uma maior concorrência”, revela. Atualmente, 10% do faturamento da empresa está ligado às exportações. 

Fundada em 1993 no Recife, a Sadi Mármores já exporta quartzito e granito há 10 anos, mas a atividade se intensificou em 2007. Os destinos são Itália, Portugal, Espanha, Estados Unidos, Angola e Moçambique. “O caminho para entrar no mercado internacional foi a participação em feiras internacionais do ramo de pedras”, conta um dos sócios Giuseppe Sarubbo. 

Para ele, o mercado internacional funciona como um outro qualquer. “A atenção com o histórico do comprador é que deve ser redobrada”.

Suape busca crédito do BNDES para obras

A diretoria do complexo industrial e portuário apresentou o seu plano de negócios para os próximos quatro anos. A expansão vai demandar investimentos em infraestrutura da ordem de R$ 2,1 bilhões

Complexo Industrial Portuário de Suape

A diretoria do Complexo Industrial e Portuário de Suape entregou, ontem, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Plano de Negócios de Suape, realizado em parceria com o Porto de Roterdã, na Holanda. O documento foi entregue pelo vice-presidente do complexo, Sidnei Aires, ao diretor de Estruturação de Projetos, Infraestrutura e Insumos Básicos do BNDES, Wagner Bittencourt. Com a entrega do documento, que aponta as perspectivas para o porto nos próximos quatro anos, a administração de Suape espera facilitar a liberação de financiamento pela instituição financeira.

Pelos cálculos de Suape, a expansão do porto vai demandar investimentos em infraestrutura da ordem de R$ 2,1 bilhões. “Desse total, pelo menos R$ 790 milhões já estão garantidos no PAC 2, mas para fechar a conta vamos precisar de recursos próprios e de financiamentos”, observa Aires. Os recursos serão necessários para viabilizar a implantação do terminal de grãos da Transnordestina, o novo terminal de contêineres e o terminal açucareiro.

“Para garantir a instalação desses empreendimentos vamos precisar investir em obras de dragagem e na construção de pelo menos mais quatro berços de atracação, do cais 6 ao cais 9”, detalha o vice-presidente. Ele conta que além do Plano de Negócios, a diretoria do porto anexou o balanço financeiro de Suape e a projeção de crescimento da receita para os próximos anos, quando estiverem em operação projetos estruturadores como o da Refinaria Abreu e Lima.

Atualmente, a receita anual do porto é de R$ 50 milhões e a previsão é que salte para algo entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões até 2014.

“Isso sem falar na movimentação de cargas, que hoje está na casa das 10 milhões de toneladas e só a refinaria terá potencial de operar 23 milhões de toneladas por ano. Apresentamos isso para demonstrar que temos garantias a oferecer para futuros empréstimos, além de contar com um cliente do porte da Petrobras”, comemora Aires. Na próxima semana, a diretoria de Suape volta a se reunir com a equipe do BNDES, dessa vez com a equipe técnica. “Pedimos a orientação no processo de alteração da estrutura da empresa Suape para uma S.A.”, adianta Aires.

O Plano de Negócios de Suape foi apresentado pela equipe do Porto de Roterdã ao governador Eduardo Campos em abril deste ano. O documento simulou perspectivas para o complexo em dois cenários: otimista e moderado. No moderado, a previsão é de um crescimento da movimentação anual de cargas de 11,5%, contra 13,4% para um cenário otimista. (JC)