Refinaria aparece como 2ª maior importadora

Dados comerciais de janeiro apontam que a futura unidade de refino de Pernambuco só perdeu para a fábrica do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G) na compra de itens do mercado externo

Giovanni Sandes

gsandes@jc.com.br

Exportações de Pernambuco aumentaram em 75%

A Refinaria Abreu e Lima apareceu em janeiro, pela primeira vez, como um grande importador pernambucano, atrás apenas da fábrica do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G), também instalada em Suape. Foi a primeira grande importação de equipamentos da refinaria registrada no ranking do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e ratifica o que já anteciparam os especialistas: a mudança nos setores que dominam o comércio internacional de Pernambuco, com a entrada em operação dos grandes projetos do Estado.

A M&G já dominava as importações em janeiro passado, quando investiu US$ 25,54 milhões na compra, principalmente, de ácido tereftálico purificado (PTA), principal matéria-prima para a produção da resina PET pela fábrica dos italianos. Mas a empresa ampliou essa cifra em 45,98%, para US$ 37,29 milhões. A Mossi & Ghisolfi representa, sozinha, 19,20% de tudo o que é importado por Pernambuco.

O PTA, que não é importado apenas pela M&G, subiu 21,93% e chegou a US$ 30,40 milhões.

A refinaria, que sequer aparecia entre os principais importadores, ficou em segundo lugar no ranking. Com uma importação de US$ 16,5 milhões, seus negócios já representaram 8,51% das importações estaduais. Em terceiro lugar aparece diretamente a Petrobras, com uma participação de 8,14% no que foi importado por Pernambuco e uma alta de 293,92%, batendo os US$ 15,8 milhões.

Fábrica do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G), instalada em Suape (Foto: Fernando Clímaco)

No geral, as importações subiram 55,83%, com a predominância de equipamentos, de químicos e de derivados de petróleo. No lado dos importados, de acordo com o MDIC, dois dos produtos entre os cinco líderes de janeiro sequer estavam anteriormente ranqueados entre os cem principais artigos na pauta de importação. Os “outros aparelhos para filtrar ou depurar líquidos”, segundo na lista do mês passado, chegaram a US$ 16,4 milhões no início de 2010. E os propanos liquefeitos alcançaram US$ 10,8 milhões.

A expressiva alta das exportações, de 75,53%, foi concentrada em setores tradicionais: no açúcar e na retomada das vendas ao exterior da borracha produzida no Estado – interrompidas em janeiro passado no auge da crise internacional. Líder exportadora, a Sucden do Brasil cresceu em 976,84% ante janeiro de 2009, e a segunda colocada, a Lanxess (ex-Petroflex), em 828,06%. Dos dez maiores exportadores de janeiro, cinco foram usinas.

Entre os cem principais produtos exportados no Estado, 24 registraram reduções. Além dos produtos com maior destaque (veja arte ao lado), os combustíveis e lubrificantes para consumo de bordo, segmentos analisados em separado conforme sejam destinados a embarcações ou aeronaves, também subiram bastante. No caso dos aviões, o aumento foi de 100,64%, para US$ 2,06 milhões. Para as embarcações, as exportações aumentaram 95,97%, para US$ 1,89 milhões. (Jornal do Commercio)

Projeto de lei quer ampliar teto

RACHEL MORAIS

As micro e pequenas empresas enfrentam diversas barreiras e muitas delas não resistem à competitividade do mercado. Para fortalecer esses empreendimentos, foi apresentado, no início do mês, pelo deputado federal Roberto Magalhães o Projeto de Lei Complementar n° 550/2010. O objetivo é aperfeiçoar a Lei n° 123/2006, que coloca as empresas com faturamento anual máximo de R$ 2,4 milhões no Simples Nacional, sistema que suaviza as pesadas cargas tributárias, entre outras facilidades previstas no Estatuto da Micro e Pequena Empresa.

Entre os problemas impeditivos do desenvolvimento delas, destaca-se o descredenciamento daquelas que ultrapassam o teto do faturamento. Porém, esse valor não é revisto desde 2007, quando a Lei entrou em vigor. “Não foi prevista uma atualização anual de acordo com o índice da inflação. E, como os produtos comercializados são alvos do aumento de preço, há um incremento da receita bruta”, falou o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-PE), Josias Albuquerque.

O Projeto de Lei foi feito em parceria com a Fecomércio e visa solucionar essa questão, pois ele institui a correção dos valores do teto, com base no índice acumulado nos últimos 12 meses do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE.

Segundo o secretário executivo da Fecomércio, Jesus Ivandro, hoje, as micro e pequenas empresas representam 20% do PIB, por isso, a importância da aprovação do projeto. (Folha de Pernambuco)

Palmares deve receber fábrica

PAULO MARINHO

Empresa paulista pode se instalar no local, gerando cerca de 700 empregos

A interiorização dos investimentos que estão chegando em Pernambuco trará uma nova indústria para o município de Palmares, na Mata Sul do Estado. Fontes consultadas pela Folha de Pernambuco garantem que trata-se da implantação de uma fábrica da empresa paulista Schioppa – que produz rodas e rodízios para qualquer tipo de piso, como diz a página eletrônica do grupo na internet. São investimentos de R$ 25 milhões e em torno de 700 empregos diretos serão gerados a partir do empreendimento. Praticamente toda a mão de obra seria preenchida pelo quadro local de operários e o protocolo de intenções deve ser assinado já na segunda semana de março.

Primeiramente, representantes da Schioppa tinham interesse em alocar os recursos no Complexo Industrial Portuário de Suape. Porém, durante negociação com o Governo do Estado, que tem como meta descentralizar os investimentos, teria sido acordado que três municípios da Zona da Mata seriam visitados como possíveis locais, cidades que também ficassem próximas de Suape. “Eles se agradaram muito com Palmares”, confidenciou uma fonte. Inclusive, a companhia teria contratado projetistas para levantar informações sobre o pleito quanto aos benefícios fiscais e tributários.

Outro dado de relevo é que eles estariam propícios a apostar em rodas para carrinhos de supermercado, onde existe uma concorrência elevada no Sudeste. Por esse motivo a empresa estaria sendo cautelosa no que toca aos desdobramentos no caso. O Governo do Estado não revelou o nome do grupo por questões estratégicas, mas confirmou a existência de um projeto para a área. “É uma indústria que vai gerar bastante emprego na Zona da Mata”, afirmou o presidente da AD/Diper (Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco), Jenner Guimarães.

Atualmente, a Schioppa está em fase de larga expansão, tendo planta industrial até nos Estados Unidos. Hoje, rodas e rodízios são feitos para maca hospitalar, carro de indústria, cadeira de escritório, carrinho de lixo. Sem retorno, a reportagem tentou contato com a companhia através do próprio site. (Folha de Pernambuco)

Renner se credencia para atender navios petroleiros

Certificação // Fabricante de tintas é a primeira no país a ter aprovação da IMO
Micheline Batista
michelinebatista.pe@dabr.com.br

Vista aérea da unidade fabril da Divisão Marítima e Manutenção Industrial Renner, Curitiba / PR

A Renner Hermann, fabricante de tintas anticorrosivas para manutenção de plantas industriais e marítimas, está se preparando para atender o crescimento da indústria naval no país. A implantação de novos estaleiros, como o Atlântico Sul, em Suape, abre novos mercados para a empresa que acaba de conquistar uma importante certificação internacional, concedida pela International Maritime Organization (IMO). É a primeira vez que a IMO aprova produtos fabricados por uma empresa brasileira.

“Nós acreditamos no crescimento desse mercado. Essa certificação é exigida na construção de navios novos de grande porte, como os petroleiros que estão sendo produzidos em Suape”, comenta o diretor Roberto Henrique Ritter. O EAS está construindo 22 petroleiros para o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), além do casco da plataforma P-55, da Petrobras.

Segundo Ritter, a certificação conquistada pela Renner Hermann foi resultado de um esforço feito pela Divisão Marítima & Manutenção Industrial através de ações voltadas a questões ambientais. A partir desse esforço, a empresa investiu fortemente no desenvolvimento de produtos ecologicamente corretos, com destaque para o Revran NVC WST 870, elaborado a base de resina epóxi e livre de solventes orgânicos. Os produtos certificados passaram por processos de qualificação junto à Certificados Det Norske Veritas (DNV).

Na análise, a Renner MM atendeu a todos os requisitos técnicos internacionais exigidos, obtendo a certificação IMO/PSPC MSC.215(82). A norma estabelece padrões de performance de revestimentos anticorrosivos para tanques de lastro em embarcações com mais de 500 toneladas de porte bruto (TPB) e casco duplo com 150 metros de comprimeiro em navios graneleiros. Para se ter uma ideia, um petroleiro Suezmax, como os que estão sendo construídos pelo EAS, têm 157 mil TPB.

Os testes com os produtos da Renner Hermann foram conduzidos durante um período de oito meses. Paralelamente ao processo de qualificaçãoda IMO, a empresa ainda aumentou o número de inspetores com o objetivo de aperfeiçoar a sua capacitação técnica.

“O desempenho obtido mostram que a Renner MM está se preparando de forma diferenciada para os novos desafios da construção naval do Brasil e restante do mundo”, diz Roberto Henrique Ritter. A Renner Hermann S.A. está há mais de 80 anos no mercado. A unidade RMM possui fábrica própria em Curitiba-PR e seus produtos são distribuídos nacionalmente através de representantes.

Em Pernambuco, entretanto, visualizando o potencial de crescimento das áreas petróleo, gás, naval e offshore, a RMM implantou há dois anos uma filial com estoque próprio em Jaboatão dos Guararapes. “Suape é um mercado muito interessante. Temos atendido aos parques de tancagem, o Moinho da Bunge e outros clientes”, ressalta Ritter. A empresa prevê um crescimento de 15% no faturamento deste ano. (Diário de Pernambuco)